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Batman vs Superman – Um dos filmes mais originais da nossa era

Fernanda Novaes

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“[…] Superman nos obriga a olhar para nós mesmos como indivíduos, e a humanidade como um todo, através do filtro de um ser que se parece muito com nós, mas tem a força física e as habilidades de um deus. No entanto, apesar de suas forças corporais, ele não é onisciente e, portanto, deve se aventurar no mundo em sua própria jornada de autodescoberta. Não é mais capaz de ver o futuro do que qualquer um de nós e, de muitas maneiras, muito menos consciente de seu passado do que a maioria. Ele é, em essência, um deus perdido. Uma divindade forçada a caminhar sozinha pela Terra, buscando sua própria verdade pessoal, inadvertidamente questionando as mesmas verdades que o resto da humanidade se apega com tanta força.

[…] Fiquei encantado com a incrível oportunidade de colocar essa figura divina indefesa firmemente em nosso mundo imperfeito. Foi uma chance de contar a história complicada de um salvador em luta, um messias relutante, de uma maneira moderna. Uma oportunidade para desconstruir cuidadosamente o caráter divino clássico, que muitas vezes percebemos como aspiracional, mas também distante e divino às vezes.“- Zack Snyder.

Com tom mais sério, carga dramática significativamente mais pesada e desenvolvimento trágico, “Batman vs. Superman” de Zack Snyder é com certeza um dos filmes de super-heróis mais ambiciosos e originais da nossa era. Possui profundidade temática e simbólica.

No final de Man of Steel (2013), Superman foi envolvido em uma batalha cataclísmica que deixou um rastro enorme de destruição. Em Batman v Superman, descobrimos que Bruce testemunhou esta tragédia e está preocupado com a ameaça à humanidade representada por este visitante estranho de outro planeta com poder inimaginável e julgamento questionável. Superman, ao mesmo tempo, está preocupado com a crescente brutalidade do vigilante que luta contra o crime em Gotham City. Acrescente a isso as maquinações de Lex Luthor – e o que é uma decisão bastante criativa – e você terá Batman v Superman.

“There was a time above… a time before… there were perfect things… diamond absolutes. But things fall… things on earth. And what falls… is fallen. In the dream, it took me to the light. A beautiful lie.”

Todo o filme gira em torno dessas linhas. O monólogo de Bruce é paralelo ao final do filme e se liga ao tema geral, que contrasta seres do céu vs. seres da terra e do submundo: deuses vs. homens, um tema apropriado para um filme de “Batman vs. Superman”. Ao usar tais palavras, Bruce é estabelecido como o herói trágico arquetípico como Hamlet, Orfeu, Édipo, etc. Ele também é identificado com um tema fundamental da mitologia ocidental: a natureza caída da humanidade. Isto é derivado, em um contexto político e histórico, da queda do Império Romano, mas em um nível religioso e espiritual da expulsão de Adão e Eva do Jardim. O monólogo estabelece imediatamente o tom e a ambição do filme.

É preciso ter em mente que tudo o que o Batman é como personagem, é o resultado da morte de seus pais. Isso é Batman, em seu âmago. Suas saídas noturnas são uma tentativa interminável de redimir o pecado original da morte de seus pais. Cada detalhe daquela noite estava gravado nas suas lembranças mais profundas.

Em uma das primeiras cenas, a família de Bruce passa por um teatro onde está exibindo ao filme de 1981: Excalibur. A Obra Prima é uma releitura do mito arturiano, e é também um dos filmes favoritos de Snyder, e influenciou fortemente o BvS. O tema central de Excalibur é o seguinte: “O Rei e a Terra são um só“. Esse tema permeia todo filme e parece ser também proeminente na Liga da Justiça.

Na mesma cena podemos notar o número do prédio ao lado: 1108. Isto corresponde a um verso do Livro do Apocalipse:

“E os seus cadáveres jazerão nas ruas da grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde também nosso Senhor foi crucificado”.

Isso poderia ser facilmente encarado como uma coincidência, mas sabendo da atenção que Snyder confere aos detalhes, o interesse no cristianismo, a relação direta entre o verso e a cena, e o fato de que ele já fez isso antes, parece intencional.

Neste universo, Bruce testemunhou seu pai combater violência com violência, o que o influenciou imensamente em toda sua vida. Thomas Wayne, pai de Bruce, antes de morrer, chama sua esposa pelo nome, “Martha”. Além da óbvia configuração para o enredo ao estabelecer a psicologia freudiana de Bruce, essa é uma referência ao maravilhoso filme “Citizen Kane”, de Orson Welles, que chama por “Rosebud” antes de falecer.

Em um ato de desespero, Bruce corre para a floresta antes de cair na caverna. A floresta em tom simbólico representa o desconhecido. Já a caverna é um símbolo universal de origem, nascimento e de iniciação através do renascimento. É também uma representação do útero maternal e do mundo das ilusões de Platão.

A identidade do Batman nasce resultante da morte simbólica de Bruce, morte nesse sentido é transformação, renascimento. Bruce não é mais um homem, apenas. Ele é homem feito por Deus. Ou, para ser mais preciso, Bruce é o herói trágico arquetípico e Batman um deus. O que separa, em termos pagãos, um homem de um deus? Poder. Um tema central no filme é a questão do “poder”, mas é mais profundo do que simplesmente “o poder corrompe”. De fato, no filme, a ideia de que o poder corrompe é retratada como resultado de um trauma psicológico. A perda relativa de poder, em face de um poder maior, também corrompe. Essa rivalidade mimética está presente em Bruce e Lex.

Batman v Superman e a filosofia de Nietzsche.

Nietzsche acreditava que o homem criou Deus à sua própria imagem. O filme representou essa ideia de várias formas, uma delas de forma literal, fazendo com que o homem, Lex, criasse o diabo, “Doomsday”, de seu sangue. Mas BvS também a interpretou no sentido figurado e de maneira mais direta por meio do Superman.

Deus está morto.

Nietzsche não quis dizer de forma literal quando afirmou que Deus está morto e nós o matamos, mas em BvS essa afirmação foi ilustrada tanto no sentido literal quanto no sentido figurado. Superman morreu pela mão de Lex Luthor. E quando isso aconteceu, o mundo reconheceu que o Super-Homem não era um deus, não era um ser onipotente. Eles finalmente o aceitaram como um homem que estava tentando fazer a coisa certa. A ideia dele como um deus foi morto. Não através de avanço científico, mas através de maior compreensão e compaixão pelas outras pessoas.

Apesar do quanto o BvS ilustra a filosofia de Nietzsche direta e literalmente, também o desafia, porque a morte de Deus não é também a morte da moralidade da humanidade. A existência do Super-homem desafia tudo o que os humanos pensavam que conheciam e acreditavam. Mas sua morte transforma, para melhor, muitas maneiras de pensar. Clark inspirou Bruce e Diana a se tornarem heróis novamente. Eles olham para ele como um exemplo, como alguém para ajudá-los a se tornarem melhores, para se tornarem o melhor que podem ser. Superman é o übermensch literal – ele é o homem de cima, o alienígena. Existindo, ele desafia todos os sistemas de crenças do planeta.

Uma morte significativa.

“Deus está morto, mas dado o caminho dos homens, ainda pode haver cavernas por milhares de anos em que sua sombra será mostrada.”

A morte de Clark tem um impacto profundo e duradouro. Como público, sabemos que ele voltará, mas as pessoas no universo não costumam retornar. Nietzsche via a sombra de Deus como um negativo e a religião como uma força finalmente destrutiva. A sombra de Clark não é nada além de positiva. O mundo mudou quando o Super-Homem voou no céu. Ele inspirou as pessoas a serem melhores. Sua morte vai unir a Liga da Justiça.

Antes da morte do Superman, a humanidade procurou honrá-lo através de monumentos maciços. Depois, Diana disse que eles não sabiam como honrá-lo. Isso é verdade, mas também é verdade que o governo e a população em geral reconheceram que não precisavam erguer uma estátua, porque o maior monumento às conquistas do Super-homem era que as pessoas da Terra ainda estavam vivas. Bruce escolheu homenageá-lo formando a Liga da Justiça e protegendo a Terra, assim como ele. Acho que este é o mais próximo de um verdadeiro paralelo de Jesus que BvS tem, e é mais uma crítica ao cristianismo do que qualquer coisa.

Ao longo da história as pessoas que se chamam cristãos lutaram para provar o quanto são devotas através da construção de igrejas enormes, ou lutando em guerras, ou criticando a fé de outras pessoas ou outras religiões, quando nada disso fazia parte dos ensinamentos de Jesus. Seguir a Jesus seria seguir seu exemplo. O mesmo pode ser dito para Clark. Nietzsche desprezava o cristianismo, mas ele nutria um respeito saudável por Jesus. Como ele mesmo disse, “havia apenas um cristão e ele morreu na cruz”. No final do BvS, o povo da Terra parou de sentir a necessidade de construir estátuas. Parou de sentir a necessidade de olhar para Clark com medo ou admiração.

O BvS não é preguiçoso com sua filosofia. Ele mergulha nas opiniões de filósofos cujo trabalho é comumente conhecido. É legitimamente significativo porque examina e desafia filosofias, em vez de apenas repeti-las. Os temas são apresentados de uma forma que força o público a pensar sobre eles e seu simbolismo, e não apenas jogando tudo de “mão beijada”.

É possível, ainda, discordar de tudo isso e interpretá-lo de várias outras maneiras, e é por isso que ainda estamos falando sobre isso, depois de considerável tempo de lançamento.

Roteirista, produtora e fotografa na empresa SE7E MOVIE, fotografa da Phóton Fotografia, Youtuber no canal "Moça Você é Cinéfila?" diretora e roteirista do documentário " Pé da Branca" e do curta "A Obra de Marcus Duchen". Colaboradora do Cabana do Leitor.

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WarnerMedia vai demitir mais de 600 funcionários

Este ano a Warner ainda pretende lançar Tenet e Mulher-Maravilha 1984 nos cinemas.

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Ao contrario do que alguns youtubers e sites andam dizendo, a WarnerMedia não viu como fracasso a HBO Max, e nem esta desesperada para vender a divisão da Warner Games, mas o CEO da empresa Jason Kilar viu que uma forma de poupar grandes gastos da empresa para enfrentar o Coronavírus e até mesmo a venda do seu estúdio de jogos, seria a demissão de inúmeros funcionários em cargos de chefia da WarnerMedia.

Como relata o Deadline, o CEO da WarnerMedia vai reestruturar a empresa e nesse processo vai haver demissões em massa. Ao todo, cerca de 600 funcionários em várias divisões devem ser dispensados, a partir de hoje. Acredita-se que a Warner Bros Entertainment será a mais impactada.

O setor de distribuição é uma área tipicamente vulnerável na consolidação de uma empresa que adquire a outra; foi a primeira divisão a ver as principais saídas executivas e grandes demissões após a fusão Disney-Fox.

A Warner Bros. assim como diversos outros estudios de cinema estão sentindo o impacto do coronavirus, pois são os setores que tiveram prejuízo devido a situação dos cinemas atuais que estão fechados na maior parte do mundo.

Este ano a Warner ainda pretende lançar Tenet e Mulher-Maravilha 1984 nos cinemas.

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Novo filme de Tron ganha diretor

Novo filme de Tron que será estrelado por Jared Leto finalmente ganha diretor.

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Segundo o site Deadline, a Disney está finalmente dando continuidade ao novo filme Tron, que será estrelado por ninguém menos que Jared Leto, o mesmo que fez Coringa em Esquadrão Suicida.

A direção fica por conta de Garth Davis, que ficou conhecido por Lion: Uma Jornada Para Casa. Já Jesse Wigutow, de Acontece nas Melhores Famílias, escreveu o roteiro mais recente, que é produzido por Kared ao lado de Justin Springer e Emma Ludbrook.

Tron: Uma Odisseia Eletrônica foi lançado em 1982 e conta com Jeff Bridges, Bruce Broxleitner e David Warner no elenco, já em 2010 Bridges retornou para a sequência , Tron: O Legado que ainda contou com Garrett Hedlund e Olivia Wilde. Após o lançamento do longa em 2010 não se falou mais em alguma continuação ou algo do tipo, em 2017 começaram os rumores quando o projeto foi citado como um novo reboot.

Ainda não tem previsão de estreia ou detalhes sobre a historia do longa.

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Zack Snyder revela o visual do Lobo da Estepe na Liga da Justiça: Snyder Cut

Vilão ficou com aspecto muito mais ameaçador.

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Zack Snyder esta atualmente trabalhando no seu corte do filme Liga da Justiça, e quanto isso ele acabando dando as vezes um vislumbre aos fãs do que esta por vir.

Agora o diretor acaba de revelar na rede social Vero o visual do vilão do filme, Lobo da Estepe. Vejam abaixo:

Afastado do filme por conta do suicídio da sua filha, Zack e sua esposa Deborah Snyder – que também produziu o longa – não chegaram a finalizar totalmente o projeto. Joss Wheldon, diretor de Vingadores e Vingadores: Era de Ultron, foi chamado pela Warner para refilmar boa parte da produção, mudando assim acontecimentos previstos no roteiro original do filme, assim como refazer cenas importantes da trama. Snyder revelou recentemente que jamais viu a versão que saiu para o cinema, sempre dando a entender que gostaria de exibir ao público a sua visão dos heróis.

Liga da Justiça recebeu críticas mistas da mídia especializada na época de seu lançamento, com destaque positivo às atuações de Gal Gadot (Mulher-Maravilha) e Ezra Miller (Flash), as sequências de ação e os efeitos visuais, enquanto que o enredo, a narrativa, o ritmo, o vilão e o excessivo uso de efeitos especiais foram recebidos de forma negativa.

Arrecadando mais de US$ 657 milhões mundialmente, sendo assim o décimo quarto longa-metragem de maior bilheteria daquele ano, ficou abaixo das expectativas do estúdio (com perdas estimadas entre US$ 50 e US$ 100 milhões) e é o título de menor receita do então universo estendido da DC Comics no cinema.

Liga da Justiça: Snyder Cut estreia em 2021 na HBO Max.

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