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Livros

Deuses Americanos | Conheça a origem dos dias da semana

Quatro dos sete dias da semana em inglês derivam da mitologia nórdica.

Rodrigo Roddick

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Os dias da semana em inglês refletem a grande influência que culturas antigas tiveram na formação dos Estados Unidos. Muitas pessoas que começaram a povoar aquela região, quando ela não era uma pátria ainda, levaram para lá as histórias de seus povos, de suas nações. E muitos elementos dessa cultura estão presentes até hoje. Uma prova disso é a palavra “Hell”, que corresponde ao “inferno” em português.

Hel pertence à mitologia nórdica, é uma das filhas de Loki, responsável por governar o lugar em que recebia todo os mortos negados em Valhalla (para onde as Valquírias levavam as pessoas que tinham uma morte gloriosa, geralmente em guerra). O próprio lugar recebeu o nome de sua governante, hell, inferno.

No caso da formação da semana, os sete dias foram dedicados aos festejos dos deuses mais importantes de seu panteão, dependendo da cultura. As duas grandes influências que formaram os dias da semana como os ingleses e os estadunidenses conhecem hoje (Sunday, Monday, Tuesday, Wednesday, Thursday, Friday e Saturday) foram a nórdica e a latina.

No livro Deuses Americanos, Neil Gaiman revela que quatro dos dias da semana em inglês derivam-se da mitologia nórdica. Mas os três restantes que não são abordados no romance possuem origem latina.

Antes do império romano aderir ao cristianismo, ele era politeísta. E seus deuses principais eram correspondentes aos deuses gregos, pois os romanos tinham a conduta de absorver as culturas dos povos que dominavam (uma das razões do cristianismo surgir em seu seio). Portanto, os sete dias da semana eram dedicados aos seus principais deuses. Em cada dia eles deviam prestar homenagens ao deus correspondente.

Essa conduta latina, no entanto, proveio dos povos indo-europeus dominados, muitos deles devotados a deuses que representavam aspectos puros da natureza, como o sol e a lua.

Sunday

Correspondente ao domingo em português, esse dia foi dedicado ao principal deus romano, o Sol (Sun em inglês). Portanto é uma forma inglesa de tratar o “Dies Solis”, Sun’s Day, dia do Sol, que virou Sunday. Após a conversão do império romano ao cristianismo, domingo passou a ser conhecido como “o dia do Senhor”.

Monday

Se domingo era o dia do Sol, naturalmente o segundo dia da semana (segunda-feira) era dedicado à deusa Lua (moon em inglês). O povo anglo-saxão cultuava a deusa Lua neste dia chamado “Monandaeg”, o que os ingleses traduziram como Moon’s Day, dia da Lua, transformando-se em Monday.  

Tuesday

Terça-feira já vem de uma vertente cultural diferente. No inglês, os dias de terça a sexta-feira correspondem à mitologia nórdica. Este, no caso, é o dia de Tyr. Ele era o deus da guerra antes de Odin, embora representasse mais a justiça. Em homenagem a ele, os escandinavos colocaram terça-feira como “Tiwesdaeg”, que os ingleses adaptaram para Tiw’s Day e, pela contração, virou Tuesday.

Wednesday

Quarta-feira é o dia de Odin. O então deus da guerra e principal divindade do panteão nórdico é homenageado nesse dia. Na língua nativa, Odin era chamado Wodan. O dia de Wodan então era “Wõdnesdaeg”, que passou para Wodan’s Day, virando Wednesday. O personagem no livro faz um gracejo com este nome e se apresenta assim (Mr. Wednesday) para Shadow.

Thursday

Quinta-feira é o dia de Thor. O deus do trovão era cultuado neste dia. Thor’s Day então se transformou em Thursday.

Friday

Sexta-feira é o dia de Frigga, a deusa da fertilidade e esposa de Odin. Friday é simplesmente uma abreviação de Frigga Day.

Saturday

O último dia da semana, sábado, remota à origem latina. Este é o dia do deus Saturno, que corresponde ao titã grego Cronos (ele representava, em um sentindo bem abrangente, o tempo). Os planetas de nosso sistema solar também receberam nomes em homenagem aos deuses romanos. Saturno então era cultuado no último dia, o “Dies Saturni” ou Saturn’s Day em inglês, dia de Saturno, que virou Saturday.

Origem dos dias da semana em português

No caso da língua portuguesa (que possui matriz latina), os dias da semana foram denominados correspondente ao cotidiano na idade média. Quando o imperador Teodósio I adotou o cristianismo como religião oficial do império romano no século IV, o “Dies Solis” passou a ser “Dies Dominica”, ou seja, dia do Senhor. Dies Dominica sofreu várias contrações ao longo dos anos e se transformou em domingo.

Para o cristianismo, o dia do Senhor (domingo) é o último dia da semana, o sétimo, em que Deus descansou após completar a criação. Portanto era o dia em que os fiéis mais lotavam as igrejas. Os feirantes então aproveitavam a aglomeração para montar a maior das feiras de troca (no feudalismo, os servos formavam feiras para trocar os produtos excedentes).

Todavia, para os feirantes — e de acordo com o calendário romano original — este era o primeiro dia da semana, o primeiro dia de feira. Logo, o dia seguinte era o segundo dia, o que os servos denominaram como segunda-feira, e assim por diante (terça, quarta, quinta e sexta-feira) até chegar sábado.

Sábado, porém, não tem a ver com as feiras. Ele era considerado pelos judeus o último dia da semana, ou seja, o verdadeiro dia de descanso de Deus. Por isso o termo “shabbatt” que provém do hebraico e significa “descanso” ou “cessação”. Shabbatt foi traduzido na língua latina como “sabat” e, assim como aconteceu com Dies Dominica, o termo foi contraindo até virar sábado.

Agora que você conhece a origem dos dias da semana, qual deus está cultuando hoje?

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Resenha

Resenha | O Yark

Uma literatura fantástica e infantil para abrir os olhos de adultos.

Mylla Martins de Lima

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Juntando crianças e uma espécie de bicho papão, Bertrand Santini mescla medo, amor e tristeza em uma obra de 78 páginas que só não é melhor por ser curta. A editora Nova Zahar, através do seu selo Pequena Zahar, trouxe para o Brasil uma das melhores histórias infantis, que até já foi indicada pelo Cabana como dica de leitura outrora.

O Yark Zahar

A primeira parte do livro é narrada em tom sombrio, conta um pouco das características do grande monstro peludo, voador e com dentes enormes. O Yark, além de assustador, come crianças fofas e boazinhas.

Durante os primeiros capítulos, o autor fala das capturas e sabores dessas crianças, produzindo uma sensação bizarra até mesmo para adultos. Não muito depois do susto vem o alívio cômico, o Yark não pode comer crianças más por ser alérgico. Seu estômago é sensível demais para suportar pirralhos bagunceiros. Toda essa bagunça acaba alterando a composição química da criança, fazendo a criatura ter constantes gases e dores de barriga!

“O Yark adora crianças. Ele gosta de sentir os ossinhos delas estalando sob seus dentes e de sugar aqueles olhos tenros que se desmancham na boca como bombons. É louco pelos dedinhos infantis, pelos pezinhos, pelas linguinhas, que ele mastiga como folha de hortelã, como se fossem guloseimas doces e maravilhosamente grudentas”

O livro segue mostrando o cotidiano do comedor de crianças. O felpudo não tem sorte alguma em sua caçada, tendo qualquer dos seus infalíveis planos completamente arruinados, terminando na sua frustração e, pior ainda, na sua fome. Há tempos que ele não sabe o que é um banquete de anjinhos. Até que em uma noite, o ogro peludo come um pirralho malvado sem querer e passa tanto mal que não resiste, ele desmaia e acorda em um lugar muito diferente, deitado em uma cama. É a hora do leitor conhecer a nova personagem, que vai transformar oYark e também as crianças e os adultos que tiverem o livro em mãos.

Laurent Gapaillard : Le Yark | Ink drawing illustration, Cartoon ...
YARK COMENDO CHARLOTTE, PÁGINA 31.

Além de muito bem escrito, fugindo totalmente do que se espera das histórias de terror, o Yark traz assuntos muito bem explorados, podendo ser discutidos por qualquer idade. Um desses tópicos abordados é o bem e o mal. Bertrand consegue mostrar, em um livro de faixa etária livre, o quão cruel pode ser o ser humano independente de sua idade. Desde o início, o autor deixa claro a proposta do livro, citando John Locke, filósofo inglês: “Um fato que observei muitas vezes entre as crianças é que elas tendem a maltratar todas as pobres criaturas em seu poder”.

A arte também é uma das pautas, apesar de correr tão rapidamente. Em um dado momento, o personagem principal utiliza a pintura como forma de terapia. Essa, com certeza, é uma das mensagens mais importantes transmitidas na trama… a expressão que traz a liberdade.

“— Os seres humanos não têm muita imaginação. Só veem beleza nas coisas que se parecem com eles.

—Mas você é humana! — Exclama o Yark.

— Pois é! E, como acho você bonito, essa é a prova de que nós nos parecemos !”

As ilustrações melancólicas, cheias de hachuras em preto e cinza, levam o leitor a questionar se realmente trata-se de uma historinha infantil. Laurent Gapaillard pega a tristeza da fome do Yark e preenche as páginas do livro com um traço impecável e de maneira que as pessoas sintam pena do vilão.

“Os garotos querem que ele engula somente quantidades ínfimas de veneno. Pois seria um desperdício se o Yark morresse logo. Para que um suplício seja engraçado, é preciso que seja lento! “

O Yark é um livro incrível para todas as idades, da escrita até a parte gráfica. Existem questões importantes abordadas próprias para crianças, mas não é uma exclusividade delas.

É um livro divertido, às vezes triste, mas fantástico.

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Resenha

Resenha | Fablehaven – Onde as criaturas mágicas se escondem

Romance revela ser um portal para o santuário mágico repleto de criaturas fantásticas.

Rodrigo Roddick

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Todo mundo que ama o gênero fantástico sonha com um santuário de criaturas mágicas… O sonho está materializado neste livro. Fablehaven é um oásis que protege seres advindos da magia, mas que estão ameaçados de extinção. E não é todo mundo que consegue vê-los.

Fablehaven foi o romance de estreia de Brandon Mull publicado no Brasil em 2010 pela editora Rocco. Ele é o primeiro volume da série infantojuvenil de cinco livros que conta a história de dois irmãos unidos em prol da preservação dos seres mágicos.

“Fablehaven (…) O nome que os fundadores deram a essa reserva séculos atrás. Um refúgio para criaturas místicas, uma intendência passada de zelador a zelador ao longo dos anos”

Neste primeiro volume, Kendra e Seth vão passar as férias na casa dos avós e descobrem que eles são donos de um santuário natural incrível. Além da beleza florestal que acerca a fazenda, as criaturas mágicas são o que torna aquele lugar fantástico. Ambos começam então a conhecer as sutilezas que rondam a magia e a descobrir o quanto ela pode ser perigosa.

Logo de início, o leitor é convidado a abrir os olhos para um mundo de magia. Isso acontece quando Kendra e Seth bebem o leite com propriedades de fazê-los enxergar o mundo mágico. O leite é retirado de uma vaca mágica chamada Viola. Essa construção que o autor faz pode ser interpretada como uma metáfora para que os humanos comecem a enxergar a verdade sobre a natureza: que é ela quem provê seu sustento.

“O mesmo leite que as fadas bebem. O único alimento que elas ingerem. Quando os mortais o consomem, seus olhos se abrem para o mundo invisível”

Os seres mágicos precisam ser preservados em santuários como Fablehaven porque foram caçados pelos humanos para práticas desonrosas ou por simples temor. É uma referência clara à caça ilegal ainda praticada atualmente e que levou muitas raças animais a serem ameaçadas de extinção.

Apesar desse cunho socioambiental que o livro prega, Fablehaven consegue ser uma leitura extremamente leve a gostosa, ideal àquelas pessoas que amam ler pelo prazer. Além disso, o romance traz diversas curiosidades sobre o mundo mágico, apresentando outras visões sobre seres muito populares na fantasia, como as fadas.

Em Fablehaven, as fadas não são somente aquelas criaturas graciosas que comumente aparecem em desenhos animados ou filmes fantásticos, mas sim seres invejosos e prepotentes cujo o único objetivo é alimentar a própria vaidade. Claro que esta conduta não é geral. Sempre tem aquelas que fogem à regra. Outro detalhe interessante é como Mull insere os diabretes na classificação das fadas.

Ensinamentos valiosos podem ser obtidos na leitura deste livro, sobretudo para as crianças e adolescentes, que estão começando agora a entender o mundo. O romance apresenta como é importante escutar os adultos para não se meterem em problemas, como a curiosidade em certos casos pode ser sua ruína e como o amor entre irmãos é capaz de derrotar demônios.

“A maldição da mortalidade. Você passa a primeira porção da sua vida aprendendo, ficando mais forte, mais capaz. E então, sem que você tenha culpa alguma, seu corpo começa a falhar. Você regride. Membros fortes tornam-se frágeis, sentidos aguçados ficam lerdos, a firmeza do corpo se deteriora. A beleza murcha. Os órgãos param de funcionar. Você lembra de seu corpo no auge e imagina para onde foi essa pessoa. Enquanto sua sabedoria e sua experiência estão no auge, seu corpo traiçoeiro torna-se uma prisão”

Um dos pontos interessantes desta narrativa é colocar o amor como uma força tão avassaladora que é capaz de mudar a natureza de uma náiade. O leitor vai entender quando adentrar o santuário…

O romance possui fantasia em cada página, é uma leitura prazerosa e contém muita aventura. Uma excelente pedida para quem ama magia e que precisa se refugiar em um paraíso fantástico.

Fablehaven não é apenas um livro, mas um portal para um santuário de criaturas mágicas. Boa viagem.

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Livros

Mistborn e Elantris saem do catálogo da LeYa

Editora não vai mais publicar obras de Brandon Sanderson devido à retração do gênero fantástico no mundo.

Rodrigo Roddick

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Em comunicado divulgado no próprio blog na segunda-feira (22), a editora LeYa informou uma triste notícia aos leitores de fantasia: Brandon Sanderson não fará mais parte do selo e suas obras não serão mais publicadas pela editora. Ela explicou que a venda dos títulos não sustenta a produção em escala industrial. O autor possuía a série Mistborn e o romance Elantris nesta casa editorial. A saga Coração de Aço, no entanto, foi publicada pela editora Aleph. Já o livro Skyward é impresso pela editora Planeta.

“Com muita tristeza decidimos não nos alongarmos mais nas tentativas de manter, sob o nosso selo, a obra de Brandon Sanderson. Hoje o autor está liberado para procurar outra editora no Brasil e conta com a nossa absoluta torcida e apoio.

Nenhum profissional do mercado editorial trabalha diariamente para dar essa notícia e toda a nossa equipe lamenta muito não prosseguirmos com a edição da obra de Brandon Sanderson no Brasil” manifesta a editora.

Autor Brandon Sanderson | Créditos: Savanna Sorensen (BYU)

A LeYa atribuiu essa decisão à “retração da literatura fantástica no mundo”, explicando que o momento pandêmico atual maximizou este processo, o que resultou na baixa venda dos livros de Sanderson.

É uma situação delicada para a editora que sempre teve uma presença forte no universo literário de fantasia com os livros de George R. R. Martin, autor que escreveu As Crônicas de Gelo e Fogo, nas quais a série Game of Thrones se baseou. A LeYa publicou os livros de Martin mesmo antes do sucesso da série, que elevou as vendas dos livros.

Porém, a mudança de casa editorial dos títulos de Martin no ano passado para a Suma de Letras, selo pertencente à Companhia das Letras, já revelava a preocupação da LeYa com enfraquecimento do gênero fantástico no cenário mundial. Sua atual decisão de deixar os livros de Brandon Sanderson parece corroborar a apreensão da editora.

Os números relacionados a Sanderson no Brasil também podem ter pesado na decisão. De 2013 para cá, as vendas das obras do autor somaram pouco mais de 30 mil exemplares concernentes à LeYa, segundo estatística da Nielsen. Um volume que, de acordo com a editora, não sustenta os gastos editorais em larga escala, ainda mais de livros que compõem volumosas sagas.

Ainda não se sabe se Mistborn e Elantris partirão para uma nova editora, mas é importante lembrar que Brandon Sanderson foi escolhido para continuar a saga A Roda do Tempo, de Robert Jordan, portanto o nome do autor pode surgir dentro da Intrínseca no futuro, caso a editora dê prosseguimento às publicações da série.

Confira o comunicado da LeYa na íntegra.

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