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Editora Suma libera trecho do novo livro Fogo & Sangue de George R. R. Martin

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Na ultima segunda feira, dia 01 a Editora Suma liberou em sua página do facebook um trecho do novo livro Fogo & Sangue. Esse livro já esta em pré venda e tem a previsão de ser lançado no dia 20 de novembro. Esse livro conta a história da dinastia Targaryen, e narra a trajetória dos reis de Westeros, desde Aegon, o Conquistador, que construiu o Trono de Ferro, até a Dança dos Dragões, que quase pôs fim a todos eles.

Confira com a gente o trecho desse livro que tem é história para contar.

Haviam se passado alguns anos desde a última turnê do rei, então foi planejada para 58 dc a primeira visita de Jaehaerys e Alysanne a Winterfell e ao Norte. Os dragões deles os acompanhariam, claro, mas, para além do Gargalo, as distâncias eram vastas e as estradas, ruins, e o rei estava cansado de voar à frente do cortejo e ter que esperar até o alcançarem. Dessa vez, ele determinou que sua Guarda Real, os criados e os conselheiros iriam na frente, a fim de preparar tudo para sua chegada. E assim foi que três navios zarparam de Porto Real rumo a Porto Branco, onde ele e a rainha fariam a primeira parada.

Contudo, os deuses e as Cidades Livres tinham outros planos. Enquanto as embarcações do rei navegavam rumo ao norte, emissários de Pentos e Tyrosh fizeram uma visita a Sua Graça na Fortaleza Vermelha. Fazia três anos que as duas cidades estavam em guerra, e agora elas desejavam a paz, mas não conseguiam chegar a um acordo quanto ao local do encontro para tratar das condições. O conflito causara sérios problemas ao comércio no mar estreito, a tal ponto que o rei Jaehaerys oferecera às duas cidades ajuda para cessar as hostilidades. Após longa discussão, o Arconte de Tyrosh e o Príncipe de Pentos aceitaram se encontrar em Porto Real para resolver suas diferenças, desde que Jaehaerys atuasse como mediador e garantisse os termos de qualquer tratado que fosse firmado.

Era uma proposta que o rei e o conselho acreditavam que não podia ser recusada, mas isso significaria que a turnê prevista de Sua Graça ao Norte teria que ser adiada, e havia receios de que o Senhor de Winterfell, notoriamente melindroso, fosse se sentir ofendido. A rainha Alysanne deu a solução. Ela iria na frente, conforme o planejado, sozinha, enquanto o rei recebia o príncipe e o arconte. Jaehaerys poderia se juntar a ela em Winterfell assim que fosse alcançada a paz. E assim se determinou.

As viagens da rainha Alysanne começaram na cidade de Porto Branco, onde dezenas de milhares de nortenhos saíram para recebê-la com vivas e fitar Asaprata com admiração e um toque de terror. Era a primeira vez que qualquer um ali via um dragão. O tamanho da multidão foi uma surpresa até para o Senhor de Porto Branco.

— Eu não sabia que o povo da cidade era tão grande — teria dito Theomore Manderly. — De onde veio todo mundo?

Os Manderly eram um caso especial entre as grandes casas do Norte. Tendo suas origens na Campina séculos antes, eles haviam se refugiado perto da foz do Faca Branca quando rivais os expulsaram de suas terras férteis à margem do Vago. Embora extremamente leais aos Stark de Winterfell, eles tinham trazido do sul seus próprios deuses e ainda adoravam os Sete e mantinham as tradições da cavalaria. Alysanne Targaryen, sempre interessada em estreitar os laços entre os Sete Reinos, viu uma oportunidade na família notoriamente grande do lorde Theomore e logo tratou de organizar uniões. Quando deixou a cidade, duas de suas damas de companhia já estavam prometidas aos filhos mais jovens de sua senhoria e uma terceira a um sobrinho; enquanto isso, a filha mais velha dele e três sobrinhas haviam se juntado à comitiva da rainha, com planos de viajar com ela ao sul e ali serem oferecidas a senhores e cavaleiros adequados da corte do rei.

O lorde Manderly esbanjou atenções à rainha. No banquete de boas-vindas foi assado um auroque inteiro, e Jessamyn, filha de sua senhoria, cuidou de servir a rainha à mesa, enchendo seu copo com uma cerveja forte local que Sua Graça declarou ser melhor do que qualquer vinho que ela já havia experimentado. Manderly também organizou um pequeno torneio em homenagem à rainha, para exibir as habilidades de seus cavaleiros. Um dos lutadores (ainda que não fosse cavaleiro) se revelou ser uma mulher, uma menina selvagem que fora capturada por patrulheiros ao norte da Muralha e adotada por um dos cavaleiros a serviço do lorde Manderly. Satisfeita com a ousadia da menina, Alysanne chamou seu próprio escudo juramentado, Jonquil Darke, e a selvagem e a Sombra Escarlate duelaram lança contra espada enquanto os homens do norte davam brados de aprovação.

Alguns dias depois, a rainha realizou sua audiência de mulheres no salão do próprio lorde Manderly, algo até então inédito no Norte, e mais de duzentas mulheres e meninas se reuniram para expressar suas opiniões, queixas e preocupações a Sua Graça.

Depois de sair de Porto Branco, a comitiva da rainha navegou até as corredeiras do Faca Branca, e dali seguiu por terra até Winterfell, enquanto a própria Alysanne voava na frente com Asaprata. As calorosas boas-vindas que tivera em Porto Branco não seriam reproduzidas na ancestral sede dos Reis do Norte, onde Alaric Stark e seus filhos foram os únicos a sair para recebê-la quando sua dragão pousou diante dos portões do castelo. O lorde Alaric tinha uma reputação rigorosa; diziam as pessoas que ele era um homem duro, sério e inclemente, mão-fechada quase ao ponto da sovinice, sem senso de humor, sem alegria, frio. Até mesmo Theomore Manderly, seu vassalo, não discordara; Stark era muito respeitado no Norte, disse ele, mas não era amado. O bobo do lorde Manderly expressara de outra forma.

— Eu acho que o lorde Alaric num alivia as tripa desde que tinha doze anos.

A recepção dela em Winterfell não fez nada para dissipar os receios da rainha quanto ao que ela poderia esperar da Casa Stark. Antes mesmo de desmontar para se ajoelhar, o lorde Alaric lançou um olhar torto para as roupas de Sua Graça e disse:

— Espero que você tenha trazido algo mais quente que isso.

Ele então declarou que não queria a dragão dentro de suas muralhas.

— Não vi Harrenhal, mas sei o que aconteceu lá.

Os cavaleiros e as senhoras seriam recebidos quando chegassem, “e o rei também, se ele conseguir achar o caminho”, mas eles não deviam estender a visita.

— Aqui é o Norte, e o inverno está chegando. Não podemos alimentar mil homens por muito tempo.

Quando a rainha assegurou que haveria apenas um décimo dessa quantidade, o lorde Alaric grunhiu e respondeu:

— Que bom. Menos seria melhor ainda.

Confirmando os receios, ele estava nitidamente insatisfeito com o fato de o rei Jaehaerys não ter se dignado a acompanhá-la e confessou não saber ao certo como entreter uma rainha.

— Se você espera bailes e mascaradas e danças, veio ao lugar errado.

O lorde Alaric havia perdido a esposa três anos antes. Quando a rainha disse lamentar nunca ter tido o prazer de conhecer a senhora Stark, o nortenho disse:

— Ela era uma Mormont da Ilha dos Ursos, e nada que você consideraria uma senhora, mas enfrentou uma matilha de lobos com um machado, matou dois e costurou um manto com as peles. Ela também me deu dois filhos fortes, e uma filha tão formosa quanto qualquer uma de suas sulistas.

Quando Sua Graça sugeriu que seria um prazer ajudar a organizar uniões entre os filhos dele e filhas de senhores grandes do sul, o lorde Stark respondeu com uma brusca recusa.

— Nós adoramos os Velhos Deuses no Norte — disse ele à rainha. — Quando meus garotos desposarem uma mulher, eles se casarão diante de uma árvore-coração, não em um septo sulista.

Entretanto, Alysanne Targaryen não se rendia com facilidade. Os senhores do sul também celebravam os Velhos Deuses, além dos Novos, explicou ela ao lorde Alaric; quase todos os castelos que ela conhecia tinham tanto um bosque sagrado quanto um septo. E ainda existiam algumas casas que nunca haviam aceitado os Sete, tal como os nortenhos, incluindo principalmente os Blackwood das terras fluviais, e talvez tivesse mais uma dúzia de outras. Até mesmo um homem sério e rígido como Alaric Stark se viu sem forças diante da simpatia obstinada da rainha Alysanne. Ele concedeu que pensaria no que ela dissera e discutiria a questão com os filhos.

Quanto mais a rainha ficava lá, mais o lorde Alaric se afeiçoava a ela, e, com o tempo, Alysanne veio a perceber que nem tudo do que se falava a seu respeito era verdade. Ele era cuidadoso com o dinheiro, mas não sovina; não era desprovido de humor em absoluto, mas seu humor era afiado, cortante como uma faca; aparentemente, seus filhos, a filha e o povo de Winterfell o amavam bastante. Quando o gelo inicial se desfez, sua senhoria levou a rainha para caçar alces e javalis selvagens na Mata de Lobos, mostrou-lhe os ossos de um gigante e permitiu que ela explorasse à vontade a modesta biblioteca de seu castelo. Ele aceitou inclusive se aproximar de Asaprata, ainda que com cautela. As mulheres de Winterfell também sucumbiram ao encanto da rainha, conforme a conheceram melhor; Sua Graça se afeiçoou especialmente a Alarra, a filha do lorde Alaric. Quando o resto da comitiva da rainha enfim chegou aos portões do castelo, depois de penar em brejos sem trilhas e nevascas de verão, a carne e o hidromel correram livremente, apesar da ausência do rei.

Enquanto isso, a situação não andava tão bem em Porto Real. As discussões de paz se arrastaram por muito mais tempo que o previsto, pois a animosidade entre as duas Cidades Livres era muito mais arraigada do que Jaehaerys imaginara. Quando Sua Graça tentou alcançar um equilíbrio, cada um dos lados o acusou de favorecer o outro. Enquanto o príncipe e o arconte barganhavam, começaram a ocorrer brigas entre os homens deles pela cidade, em estalagens, bordéis e tabernas. Um guarda pentoshi foi atacado e morto, e, três noites depois, a galé do próprio arconte foi incendiada no porto. A viagem do rei foi adiada e adiada.

No Norte, a rainha Alysanne se cansou de esperar e decidiu sair de Winterfell por um tempo e visitar os homens da Patrulha da Noite em Castelo Negro. A distância não era insignificante, nem mesmo voando; Sua Graça pousou na Última Lareira e em algumas fortificações menores ao longo do caminho, para a surpresa e alegria de seus senhores, enquanto uma porção de sua comitiva corria atrás dela (o restante permaneceu em Winterfell).

Mais tarde, Sua Graça diria ao rei que seu primeiro contato com a Muralha vista do alto foi de tirar o fôlego. Houve certo receio quanto à recepção que a rainha teria em Castelo Negro, visto que muitos dos irmãos negros haviam sido Pobres Irmãos ou Filhos do Guerreiro antes da dissolução das duas ordens, mas o senhor Stark enviou corvos com antecedência para avisá-los de sua ida, e o senhor comandante da Patrulha da Noite, Lothor Burley, reuniu oitocentos de seus melhores homens para recebê-la. Naquela noite, os irmãos negros ofereceram à rainha um banquete de carne de mamute, hidromel e cerveja escura.

Ao amanhecer, no dia seguinte, o lorde Burley levou Sua Graça ao topo da Muralha.

— Aqui termina o mundo — disse ele, indicando a vastidão verde da floresta assombrada do outro lado. Burley se desculpou pela qualidade da comida e da bebida oferecidas à rainha, e das acomodações rústicas em Castelo Negro. — Fazemos o possível, Vossa Graça — explicou o senhor comandante — , mas nossas camas são duras, nossos salões são frios, e nossa comida…

— … é nutritiva — concluiu a rainha. — E isso é tudo o que eu peço. Ficarei feliz de comer o mesmo que vocês.

Os homens da Patrulha da Noite ficaram tão fascinados pela dragão da rainha quanto o povo de Porto Branco, embora a rainha mesmo tenha observado que Asaprata “não gosta desta Muralha”. Mesmo que fosse verão e a Muralha chorasse, o frio do gelo ainda se fazia sentir sempre que o vento soprava, e a cada rajada a dragão sibilava e mordia o ar. “Três vezes voei com Asaprata muito acima de Castelo Negro, e três vezes tentei levá-la para o norte além da Muralha”, escreveu Alysanne para Jaehaerys, “mas em todas ela se virou para o sul de novo e se negou a ir. Ela nunca se negara a me levar aonde eu queria ir. Dei risada quando voltei a descer, para que os irmãos negros não percebessem que havia algo errado, mas aquilo me perturbou na ocasião, e ainda me perturba.”

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Quarentena Geek: 6 livros para o seu fim de semana

Dicas de leituras fantásticas para tirar de letra o isolamento social e que talvez você não conheça.

Mylla Martins de Lima

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Normalmente as listas de livros baseadas na cultura geek são compostas pelos mesmos livros e seus autores renomados. Outros títulos acabam não sendo explorados e, por isso, continuam sem merecido reconhecimento, mesmo carregados pela essência fantástica.

Esta lista contém ótimos livros, dotados de teorias, ciência, fantasia e múltiplas referências da cultura pop para dar um “up” nessa temporada tão difícil pela qual estamos passando.

Livros preferidos de executivos de grandes startups em 2019 - Startupi

1. Como uma luva de veludo moldada em ferro

Como Uma Luva De Veludo Moldada Em Ferro no Submarino.com

O quadrinho escrito e ilustrado por Daniel Clowes e Jim Anotsu, foi publicado aqui no Brasil pela editora NEMO. Ele é um compilado de 10 capítulos da mesma história escrita por Daniel na revista Einghtball.

Trata-se de uma investigação acerca de um snuff film — gênero em que as mortes filmadas são reais — cheia dos personagens mais bizarros. É uma verdadeira jornada pela loucura.

2. Descender: Estrela de lata

Humanos e máquinas estão em guerra em Descender, novo quadrinho de ...

Esta HQ é escrita por Jeff Lemire e ilustrada por Dustin Nguyen. No Brasil, ela foi lançada em 2019 pela editora Intrínseca.

A história por trás das ilustrações excepcionais conta a saga de um robô que luta por sua sobrevivência em um mundo onde existe uma perseguição às máquinas.

Confira a resenha de Descender clicando aqui.

3. Renegados

Livro - RENEGADOS nas americanas

A editora Rocco trouxe, neste ano, o primeiro volume da trilogia escrita por Marissa Meyer. A história de ficção-científica conta sobre um grupo de humanos com habilidades especiais que conseguem estabelecer a paz em uma cidade totalmente arruinada.

Esses são tratados como a esperança daquele povo, os verdadeiros heróis… mas nem todo mundo os enxerga desse modo. Um segundo grupo também participa da narrativa, mas buscando vingança.

4. Contos do tempo emaranhado

Contos do tempo emaranhado (Douglas Bock) - Editora Diário Macabro

Um livro 100% brasileiro com 14 histórias contadas por Douglas Bock em uma edição linda publicada pela editora Diário Macabro.

Os contos são divididos em 3 grupos: ” Cinco Paraísos”,que falam sobre a sociedade secreta no coração de São Paulo que oferece a possibilidade de vida pós-morte; “Histórias instáveis”, que possuem relatos de pessoas com vivência em outras dimensões, tempos ou lugares; e, por fim, “Sampaulo- Vetente 1641”, que é uma versão alternativa da selva de pedra com saltos no espaço tempo.

5. Metrópolis

Metrópolis | Editora Aleph - editoraaleph

A editora Aleph é famosa pela publicação de obras maravilhosas da ficção científica. Essa, por exemplo, foi escrita por Thea Von Harbou e já ganhou, inclusive, uma adaptação cinematográfica.

A obra é narrada em uma cidade futurística, onde a população é dividida em dois andares. O primeiro, uma elite, pessoas próspera que desfrutam de uma boa vida. No andar subterrâneo , trabalhadores lutam por sua sobrevivência. Em meio à essa barreira de classes, surge um romance.

6. VHS: Verdadeiras histórias de sangue

VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue - Livros na Amazon Brasil ...

Cesar Bravo e DarkSide Books formam uma dupla perfeita e a prova veio com essa publicação sem defeito algum!

As histórias são passadas entre 1985 e 1995, cheias de esquisitices e muito sangue. Os contos partem de registros orais sobre mandingas macabras, crimes brutais, animais soturnos, além de notícias , jornais e anúncios sobre o imaginário da época.

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Livros

J. K. Rowling anuncia ‘The Ickabog’ como primeiro livro infantil após Harry Potter

Autora disponibiliza primeiros capítulos em plataforma online devido ao coronavírus.

Rodrigo Roddick

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Harry Potter não é o único romance infantojuvenil de J. K. Rowling. Não mais. Agora a autora está lançando o conto The Ickabog, uma história romanceada que está sendo disponibilizada em site próprio. Apesar de estar vindo a público agora, o livro já estava sendo escrito na época de Harry Potter, há mais ou menos uma década atrás.

A autora explica o motivo de ter deixado The Ickabog para trás e também comenta por que resolveu trazê-lo agora.

“Algumas semanas atrás, durante o jantar, discuti provisoriamente a ideia de tirar The Ickabog do sótão e publicá-lo gratuitamente, para crianças em confinamento. Meus agora adolescentes estavam emocionadamente entusiasmados, então lá embaixo veio a caixa muito empoeirada e, nas últimas semanas, estive imersa em um mundo fictício que pensei em nunca mais entrar”

Ela ainda ressalta que sua família já tinha conhecimento do livro e, por se lembrarem de como ele fora contado, participou da montagem desta história.

“Enquanto trabalhava para terminar o livro, comecei a ler capítulos todas as noites para a família novamente. Essa foi uma das experiências mais extraordinárias da minha vida de escritora, pois os dois primeiros leitores do The Ickabog me contaram do que se lembram quando eram pequenos e exigiram a reintegração de partes de que gostaram particularmente (eu obedeci)”

Joanne Rowling explica que The Ickabog é uma história sobre o abuso do poder e adianta que ela não se refere a nenhum regime atual em particular, lembrando que o livro foi escrito há mais de uma década.

The Ickabog é uma história sobre a verdade e o abuso de poder. Para evitar uma pergunta óbvia: a ideia me surgiu há mais de uma década, por isso não pretende ser lida como uma resposta a qualquer coisa que esteja acontecendo no mundo no momento. Os temas são atemporais e podem se aplicar a qualquer época ou país”

The Ickabog será publicado na íntegra exclusivamente online nas próximas semanas devido à pandemia do coronavírus, mas receberá uma versão em e-book e outra impressa em novembro. Rowling revelou que os direitos autorais angariados com a história serão destinados a grupos impactados pelo Covid-19.

J. K. Rowling chegou a brincar que escrevia um livro infantil em 2018, assim que terminou Animais Fantásticos 3, mas não ficou claro se este era The Ickabog.

Os dois primeiros capítulos da história estão disponíveis no site TheIckabog.com. Lá também é possível colorir as ilustrações.

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Resenha

Resenha | Guerras Secretas

Livro reúne X-men, Quarteto Fantástico, os Vingadores e os vilões em um mundo criado para eles se confrontarem.

Rodrigo Roddick

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E se você fosse transportado para um lugar em que seu maior desejo pudesse ser realizado? Só que para isso, você precisaria vencer seus concorrentes? É a partir deste cenário que nasceu Guerras Secretas. Apesar de o livro reunir distintos heróis Marvel, a premissa trabalha o conflito interno do ser humano.

“O Mundo de Batalha era feito de desejos”

Guerras Secretas é uma adaptação de um quadrinho homônimo escrito por Alex Irvine e publicado pela primeira vez em 1984. Ele ganhou a versão literária pela editora Novo Século em 2015, que já publicou diversas narrativas oriundas de histórias em quadrinhos.

O livro se inicia com diferentes heróis sendo transportados para o Mundo de Batalha, um planeta peculiar que ninguém conhecia. X-men, Quarteto Fantástico e os Vingadores, bem como os vilões Magneto, Ultron, Galactus e Doutor Destino precisam guerrear entre eles para atingir o maior prêmio que poderiam almejar: a realização de seu maior desejo.

A princípio, o leitor pode começar a questionar sobre o que um super-herói poderiam querer, se ele já possui poder, o que qualquer pessoa ordinária desejaria ter. Mas Alex Irvine brilhantemente se concentra nas limitações desses personagens, encontrando no poder delas o motivo de suas frustrações. Um exemplo é quando o Charles Xavier, que é paraplégico, começa a andar; outro é quando o Coisa passa a controlar sua transformação em pedra. Ou seja, mesmo sendo pessoas superpoderosas, elas também são humanas e, por isso, acabam tendo limitações e desejos.

Depois de estabelecer a premissa da narrativa, discretamente, por debaixo da trama, surge uma pergunta: o que você estaria disposto a fazer para realizar o seu desejo? E assim, a narrativa impele os leitores a uma análise íntima sobre suas limitações e escrúpulos, convidando-os às suas próprias guerras secretas.

Em um determinado momento, os personagens descobrem que existe uma entidade naquele mundo. Ele é chamado de Beyonder e é encarado como o ser que os levou para o Mundo de Batalha. Ao inseri-lo na história como uma entidade cósmica onipotente, Alex Irvine está metaforizando Deus. Essa provocação do autor propõe uma reflexão mais profunda.

“A verdadeira beleza reside no espírito e nas ações, na combinação da perfeição física com os atos divinos”

É possível observar isso no panorama: Beyonder leva os super-heróis àquele mundo, onde são incitados a digladiarem entre si para que o vencedor seja contemplado com a realização de seu desejo. Essa estrutura pressupõe então que seja esta a finalidade de Deus ao criar nosso universo: entreter-se.

“Ele nos colocou em guerra uns contra os outros para seu próprio divertimento”

E não por acaso, Irvine concentrou na postura do Doutor Destino o constante questionamento humano para com seu criador: ninguém deve controlar o próprio destino senão ele mesmo.

Saindo do campo teológico, Guerras Secretas também permite uma inferência social, questionando a atitude que coletivamente tomamos. É possível ver uma clara crítica ao sistema, que impõe ao ser humano — desde o momento que ele nasce — que ele se municie de ferramentas para realizar seu sonho. Porém, o prêmio é destinado a poucos, e isso gera um conflito de interesses, uma vez que todos querem realizar seus desejos, mas apenas os vencedores são contemplados com este benefício. Que vença o melhor!

Sintetizando este conflito de interesses na criação do Mundo de Batalha, o autor propõe ao leitor que ele é um indivíduo superpoderoso inserido em um mecanismo criado para sabotá-lo. Esse pensamento predispõe um jogo, portanto existe uma tentativa de fazer o interlocutor enxergar sua vida cotidiana como um jogo que ele não precisa jogar. Ao mesmo tempo, ele esclarece que o indivíduo tem o poder de criar qualquer realidade que desejar.

“No Mundo de Batalha, a realidade pode mudar”

Alex Irvine também se preocupou com o pensamento altruísta, geralmente remetidos aos heróis. Charles Xavier é o símbolo dessa ideia, propondo aos demais que eles não lutem, não façam aquilo que o Beyonder tanto incitou a fazê-los. Ele reflete que ninguém queria se levado para lá, então por que não se empenham e sair dali, em vez de jogar o joguinho daquela entidade?

Após essa elucidação, Guerras Secretas faz o leitor compreender que ele deveria usar o jogo a seu favor e não se tornar um escravo dele; que essa conduta faz parte da natureza humana.

“O animal humano é extremamente adaptável. Mesmo algo caótico e imprevisível como o Mundo de Batalha logo se torna navegável, uma vez que a inteligência humana tem a oportunidade de se aclimatar”

Guerras Secretas então acaba sendo um ensaio fictício sobre nosso próprio Mundo de Batalha.

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