J. K. Rowling publica ensaio explicando que não é transfóbica

Autora aponta cinco razões para justificar seu posicionamento controverso nas redes sociais.

A escritora J. K. Rowling, autora de Harry Potter, publicou nessa quarta-feira (10) em seu próprio site um “Ensaio sobre Sexo e Gênero” em que explica sua posição sobre o extremo ativismo trans. Joanne criticou internautas por tomarem uma pequena atitude como “curtida” em um tweet para “cancelá-la” no mundo virtual, bem como alegou que o público distorceu suas palavras e entenderam seus argumentos equivocadamente.

Ela ainda aponta vários argumentos e seu texto extenso, revelando cinco motivos que sustentam sua preocupação sobre o ativismo trans. Um deles expressa seu receio sobre a possibilidade do machismo se aproveitar da transgeneridade para agredir uma mulher cis.

“Eu quero que mulheres trans se sintam seguras. Ao mesmo tempo, não quero fazer com que garotas e mulheres de nascença estejam menos seguras. Quando você abre as portas de banheiros e vestiários para qualquer homem que acredita ou sente que é uma mulher – e, como eu já disse, certificados de confirmação de gênero podem ser dados sem qualquer necessidade de cirurgia ou hormônios –, você abre a porta para qualquer homem que desejar entrar. Essa é simplesmente a verdade” manifesta a autora.

E para enfatizar que não é transfóbica, a autora revela expressamente em outros momentos do texto sua simpatia às mulheres trans que sofrem abusos de seus parceiros ou de situações machistas, que podem chegar a graus extremos de violência.

“Acredito que a maioria das pessoas que se identificam como trans não só representam zero ameaça aos outros, como também estão vulneráveis por todas as razões que apresentei. Pessoas trans precisam e merecem proteção. Como mulheres, elas correm o perigo de serem mortas por seus parceiros sexuais. Mulheres trans que trabalham na indústria do sexo, particularmente mulheres trans negras, correm mais perigo ainda. Como todas as outras sobreviventes de abuso doméstico e sexual que eu conheço, eu não sinto nada além de empatia e solidariedade por mulheres trans que foram abusadas por homens” revela Rowling.

O ensaio aponta a opinião de J. K. Rowling sobre os perigos da radicalização do movimento ativista trans. Embasando a argumentação, ela expõe seu pensamento de maneira mais clara, revelando as informações que veio coletando a respeito de transgeneridade na intenção de refutar o mau entendimento que seu posicionamento nas redes sociais causou.

Após J. K. Rowling se manifestar no Twitter dizendo que negar a existência do sexo biológico pode prejudicar a luta contra o machismo, vários atores que interpretaram personagens da saga Harry Potter no cinema se posicionaram em solidariedade à comunidade trans.

Daniel Radcliffe (Harry Potter) escreveu um depoimento contrário à transfobia, enfatizando que independente do nascimento masculino, mulheres trans são mulheres.

“Mulheres transgênero são mulheres. Qualquer declaração oposta vai contra conselhos de profissionais de saúde com conhecimento no assunto”, disse o ator.

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Ele ainda pediu que, mesmo diante desse cenário, os leitores e espectadores de Harry Potter não se esquecessem da mensagem de amor que o romance de J. K. Rowling provocou durante os sete livros da saga e em seus oitos filmes.

“Para todas as pessoas que estão sentindo que a experiência que tiveram com os livros [de Harry Potter] foi manchada ou diminuída, sinto muito pela dor que esses comentários causaram em vocês. Realmente espero que não percam inteiramente o que foi valioso nessas histórias para vocês. Se esses livros te ensinaram que o amor é a força mais forte no universo, capaz de superar qualquer coisa; se eles te ensinaram que esta força é encontrada na adversidade e que ideias dogmáticas de pureza conduzem à opressão de grupos vulneráveis; se você acredita que um personagem em particular é trans, não-binário ou de gênero fluído, ou que eles são gays ou bissexuais; se você encontrou algo nessas histórias que permaneceu com você e te ajudou em algum momento na sua vida – então isso é entre você e o livro que você leu. É sagrado e, na minha opinião, ninguém pode tocar nisso. Esse significado é unicamente seu e eu espero que esses comentários não o corrompam”, apontou Daniel Radcliffe.

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Emma Watson (Hermione Granger) foi ao Twitter explicitar seu apoio aos trans e reiterar que as mulheres trans (e os homens trans também) não estão sozinhas na luta pelo respeito e igualdade que todo ser humano merece.

“As pessoas trans são quem dizem ser e merecem viver suas vidas sem serem constantemente questionadas ou informadas de que não são quem dizem ser (…) Quero que meus seguidores trans saibam que eu e tantas outras pessoas ao redor do mundo te vemos, respeitamos e te amamos por quem você é”, manifestou a atriz.

Apesar de tantas controvérsias envolvendo as publicações de J. K. Rowling e seu “linchamento virtual”, a mensagem que fica ao final da leitura de seu “Ensaio sobre Sexo e Gênero” é que ela se simpatiza com as trans, principalmente com aquelas vítimas do machismo, mas também leva em consideração os problemas que o radicalismo do ativismo trans pode desencadear nas mulheres de modo geral.

Para conferir o ensaio de J. K. Rowling na íntegra, acesse seu site pessoal opinativo.

O Potterrish, site brasileiro dedicado ao universo de Harry Potter, publicou uma tradução integral do ensaio da autora.

Fonte: JKRowling.com, Potterrish e Huffpost.

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Resenha| Coiso

Essa é a história de uma criança que tinha tudo, mas queria ainda mais.
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