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Resenha| As Sombras do Mal -As fitas de Blackwood

Uma história sombria, assustadora e eletrizante.

As Sombras do Mal- As fitas de Blackwood é o primeiro volume de uma série que a editora Intrínseca trouxe este ano para o Brasil. Escrita por dois grandes nomes do horror, Guillermo Del Toro (O Labirinto do Fauno e A Forma da Água) e Chuck Hogan, podemos esperar muito suspense entrelaçado ao misticismo.

As sombras do mal marca o retorno da dupla Guillermo del Toro e Chuck Hogan  em uma trama assustadora - Editora Intrínseca

Dois agentes do FBI, Odessa Hardwicke e Walt Leppo, são requisitados para investigarem a casa de um suspeito. A denúncia é de uma onda de crimes bárbaros naquela região. Ao chegarem no local, deparam-se com uma cena assustadora e sanguinolenta. Essa cena jamais sairia da cabeça de Odessa, e o que acontece logo em seguida, mudará a vida da jovem para sempre.

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O seu colega de trabalho, de uma hora para outra, se transforma em um assassino feroz sem qualquer razão aparente, tentando tirar a vida da única sobrevivente do crime. A agente não vê outra alternativa senão atirar no seu parceiro. Ao fazer isso, Odessa sente um cheiro estranho e é tomada por um medo indecifrável. Na sua frente, uma coisa maligna, como uma sombra preta, sai do corpo do homem.

Agora, a agente é investigada pelo próprio FBI, tirada das ruas e posta na ala de serviços burocráticos. Nesse meio tempo, organizando a sala de um agente aposentado, descobre algumas fitas que a levarão ao encontro de uma figura interessante, misteriosa e perigosa. Hugo Blackwood é a chave para entender o que aconteceu com Leppo e com o caos que está para começar.

” Um duplo era difícil de controlar, mas dava uma satisfação e tanto: Obediah deu duas facadas nas costelas da mulher, entrou nela e forçou-a a esfaquear o marido. Não chegou a matá-lo, mas o feriu o suficiente para quebrar uma costela e perfurar o pulmão. Então saltou de novo e fez o marido atacá-la com um golpe no meio da testa. O cutelo ficou preso, a lâmina não saia do crânio de jeito nenhum.”

Página 88

Chuck Hogan é considerado um dos nomes do terror e suspense pelo grande Stephen King, e isso é confirmado durante a leitura, que mostra as cenas com muitos detalhes, mas sem tornar-la uma leitura sofrida. Os parágrafos de ação são muito bem escritos, como se estivéssemos vendo um filme, a tensão é forte e a curiosidade também. Não existe a possibilidade de parar a leitura no meio dos acontecimentos bizarros, queremos sempre saber até onde vai tal descoberta de Odessa.

O livro é dividido em três tempos, 1582, 1962 e 2019. Mesmo com essas idas e vindas para o passado, a obra continua fluida, sem qualquer perigo de se perder. A maior parte da história é passada em 2019, mas as viagens são necessárias para contextualizar alguns acontecimentos.

” — Exato. O único ponto fraco dos incorpóreos, além do pavor de frangos capões, é sua natureza aleatória. Abraçam o êxtase da morte e do caos sem se preocupar com as circunstâncias, e, assim, seguem de catástrofe em catástrofe. Mas se, de alguma forma, eles concentrassem as suas forças…digamos, se fossem direcionados a invadir pessoas em posição de poder… Imagine o que poderia acontecer…

Página 190

Hugo Blackwood, um dos personagens da trama, é uma nítida referência ao escritor inglês Algernon Blackwood, reconhecido por seus escritos clássicos dentro do gênero horror. Não somente este, mas a história é carregada de menções à nomes, tanto de personagens quanto autores, de peso e obras reconhecidas pelos fãs do sobrenatural.

Temas como segregação racial também aparecem no livro, já que parte da narrativa é passada na década de 60. Um agente negro é escalado para resolver um crime onde o assassinado foi um homem branco. Como esse personagem lida com a cidade onde apenas pessoas brancas vivem, a chegada da Ku Klux Klan no ambiente e outras voltas, apesar de não se aprofundarem no tema, são partes bem interessantes.

”Com as duas mãos agarradas à lanterna, golpeou o pescoço da coisa e a repeliu, tirando aqueles dentes de perto das artérias de seu pescoço. A coisa rosnava e tentava abocanhá-lo. Solomon simplesmente não conseguia se livrar dela. Sentiu algo áspero, nas costas e percebeu que tinha recuado até uma árvore. De perto, os olhos da coisa pareciam brilhar, perfurando-o com sua loucura, movidos por uma força satânica e, ao mesmo tempo, por um ímpeto de terror.

Página 224

As Sombras do Mal é um livro de arrepiar, feito para quem adora sair do real, com cenas de violência muito bem descritas. Os detalhes são incríveis. Pegamos carona no olhar de Odessa, Blackwood e Solomon.

Um suspense sobre poderes e segredos ocultos.

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