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Rodrigo Roddick

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Você sabe tudo o que aconteceu antes de nascer, mas não se lembra. O nascimento é o rompimento do que já existiu e a morte é a restituição do que existe. O Oceano no Fim do Caminho vem com uma proposta nostálgica de resgatar a vida que as pessoas viveram quando eram crianças, procurando nessa fantasia a realidade das coisas.

“Esse era o vazio. Não escuridão, não o nada. Isso era o que havia por debaixo da cortina transparente e tenuamente pintada de realidade”

Antes de começar a resenha é preciso deixar claro que este romance fabular só poderia ter sido concebido por um gênio. E não um gênio qualquer, mas sim Neil Gaiman.

O Oceano no Fim do Caminho foi publicado pela editora Intrínseca em junho de 2013. O trabalho mais conhecido e mais aclamado de Neil Gaiman, porém, é Sandman. Mas o autor possui outros romances de renome publicados também pela editora. É o caso de Mitologia Nórdica, Deuses Americanos, Lugar Nenhum, Os Filhos de Anansi, Alerta de Risco, João e Maria, A Verdade é uma caverna nas Montanhas Negras, o discurso Faça Boa Arte e, agora, impresso pela Intrínseca pela primeira vez em uma edição belíssima, Coraline.

O livro se inicia com a ida do protagonista a um funeral, mas ele decide revisitar uma fazenda para fugir das lamúrias inconvenientes do momento. E então retorna ao oceano de Lettie Hempstock e lembra da aventura que viveu com ela quando tinha apenas sete anos.

O romance já começa com o toque nostálgico pela gentileza e pelo preciosismo que Gaiman confere às palavras. Elas possuem sabor. Um sabor de infância, de fantasia, de verdade. E isso faz o leitor saboreá-las, em vez de apenas lê-las. Esse sabor constitui o tônus da história, envolvendo o leitor na atmosfera das possibilidades da infância. E é necessário que o leitor entre nesse jogo para lembrar que já houve um dia em que ele acreditou que tudo era possível, em que tudo era maior que a própria realidade.

“Livros eram mais confiáveis que pessoas”

E é justamente isso que o autor nos convida a refletir: o que é realidade? É uma pergunta ingênua a se fazer a um adulto, mas como Gaiman bem propõe, todos nós jamais fomos realmente adultos, ou melhor, sequer existe algum adulto de verdade.

Na infância é possível viver e aceitar as diferentes realidades que as crianças constroem para si, e é por isso que o romance inteiro se passa nela. Neil Gaiman, sabiamente, se apropria dessa ideia para lembrar às pessoas que a vida, seu mundo particular, ainda pode ser construída da melhor forma que lhes aprouverem. Ele utiliza o resgate à infância como arma para que elas encontrem suas verdadeiras vontades, pois segundo o autor, esses desejos nasceram naquela época e nunca as deixaram, mas ficaram apenas adormecidos.

“Os adultos também não se parecem com adultos por dentro. Por fora, são grandes e desatenciosos e sempre sabem o que estão fazendo. Por dentro, eles se parecem com o que sempre foram. Como que eram quando tinha sua idade. A verdade é que não existem adultos. Nenhum, no mundo inteirinho”

A ideia de Gaiman conflui perfeitamente com o que muitos psicólogos dizem sobre os medos e sobre as motivações das pessoas; que essas coisas surgem na infância e permeiam seus seres até o dia que morrem. É como se o interior das pessoas nunca crescesse de fato, apenas seu exterior, aquilo que elas mostram para o mundo que as acerca.

“Ninguém realmente se parece por fora com o que é de fato por dentro. Nem você. Nem Eu. As pessoas são muito mais complicadas que isso. É assim com todo mundo”

Essa busca pelo verdadeiro “eu” mágico que habita dentro de cada pessoa fica mais evidente quando a fantasia é mostrada dentro do livro. Para a mente infantil — que não foi conspurcada pelo cinzento ensinamento das regras e normas que regem a realidade habitual — magia é real. Gaiman coloca o leitor nesse lugar de lembrança, de que magia de fato é real, mas as pessoas esquecem isso porque estão ocupadas demais brincando de viver.

“Todo mundo já soube. Como disse antes. Não é nada especial saber como as coisas funcionam. E você precisa realmente deixar tudo para trás se quiser brincar”

A ironia é que é através dessa magia que uma pessoa tem poder para criar a própria realidade. E juntamente dessa reflexão vem o brilhantismo do autor em concatenar este poder aos livros. Gaiman enfatiza diversas vezes durante a narrativa o poder que os livros possuem, e que é através dele que um indivíduo consegue municiar sua mente — preencher o universo fantástico — para viver conforme o próprio desejo.

“Fui para outro lugar em minha cabeça, para dentro de um livro. Era para onde eu ia sempre que a vida real ficava muito difícil ou inflexível”

Além de lembrar esses valores, o autor ainda propõe uma reflexão sobre a existência das coisas. Afinal ele está falando o tempo todo que os seres humanos podem criar realidades, então, o que é de fato realidade? Na narrativa de Gaiman, a realidade é apenas um véu que cobre o verdadeiro mundo. E como um véu, ela é tecida, construída por quem a construiu. Mas quem constrói a realidade humana são os humanos. E o autor também aponta como os humanos realizam essa construção.

“A língua é o fundamento da construção de tudo”

O idioma é a primeira forma em que as pessoas conseguem estabelecer a ideia de mundo. Se não houvesse comunicação de um indivíduo com outro, não haveria mundo.

“Aquela era a língua do que é, e tudo que fosse falado nela se tornava realidade (…) Eu havia falado a língua da criação”

Então Gaiman consegue unificar tudo o que ele vinha narrando durante o romance nesta palavra: comunicação. Livros, histórias (reais ou não), aventuras infantis e tudo o que é comunicável constroem o véu que oculta o verdadeiro mundo. E o que é a infância senão uma história real que a pessoa viveu uma vez e para qual sempre quer voltar? E hoje ela oculta essa história com o véu de um cidadão bem sucedido?

O mundo comunicável entre as pessoas cobre este universo de verdades, e Gaiman tece algumas ideias sobre o que este universo significa. É dele que vem todas as coisas que existem e as outras das quais não se tem conhecimento. Neste universo tudo coexiste de modo diverso e espalhado. E é este o universo estampado na capa do livro: o oceano.

“Eu vi o mundo que eu andara desde o meu nascimento e compreendi sua fragilidade, entendi que a realidade que eu conhecia era uma fina camada de glacê num grande bolo de aniversário escuro revolvendo-se com larvas, pesadelos e fome. Eu vi o mundo de cima e de baixo. Vi que havia padrões, portões e caminhos além da realidade. Eu vi todas essas coisas e compreendi, e elas me preencheram, da mesma forma que a água do oceano me preenchia. Tudo sussurrava para dentro de mim. Tudo falava para tudo, e eu sabia tudo”

O oceano de Lettie Hempstock, que fica em sua fazenda no fim do caminho da cidadezinha, é retratado como o lugar do tudo, onde todas as coisas estão. É, de alguma forma, o símbolo do que aguada a pessoa quando ela morrer, bem como tudo o que existiu antes dela nascer. É bem como o título diz: O Oceano no Fim do Caminho, todo o conhecimento que nos aguarda quando chegarmos ao final da vida; conhecimento que só é possível em nossas vidas através da linguagem.

“Eu ficaria aqui até o fim dos tempos, num oceano que era o universo que era a alma que era tudo o que importava. Eu ficaria aqui para sempre”

E por fim, Gaiman sintetiza essas reflexões acerca do universo, do mundo e da vida que levamos no conceito de pessoa e o que isso implica. Ser uma pessoa muitas vezes nubla o que é ser um humano.

“Já é difícil o bastante estar vivo, tentando sobreviver no mundo e encontrar seu lugar nele, fazer as coisas de que se precisa para seguir em frente, sem se perguntar se aquilo que você acabou de fazer, o que quer que tenha sido, foi o suficiente para a pessoa que, se não morrera, desistira da própria vida”

E é importante lembrar constantemente que, antes de sermos pessoas, somos indivíduos com nossas próprias convicções, ambições, desejos e pensamentos. E não há nada errado em ser como somos.

“Não existe passar ou ser reprovado em ser uma pessoa”

O livro ainda abarca diferentes símbolos mitológicos. As três mulheres Hempstock descritas na história são uma clara referência às Moiras, titânides gregas que controlavam o destino dos seres mortais e imortais. Elas fabricavam o tecido da vida, teciam-no e o cortavam. E isso fica claro quando a Velha Hempstock corta e costura um tecido para mudar uma situação que o protagonista sofreu.

Oceano no Fim do Caminho é um livro profundo, mas bem suave e gostoso, que consegue nos invadir e assim ganhar o estatuto de arte.

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Resenha

Árvore dos Desejos

Fábula narra sobre a amizade ser o maior desejo da vida humana; desejo que nem sempre é compreendido e muito menos revelado.

Rodrigo Roddick

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O que é desejo? O desejo é o assunto que dá título à narrativa, mas ele muitas vezes fica subliminar quando a protagonista, que é uma árvore, está contando sua história. Árvore dos Desejos nos lembra que a vida está presente em vários elementos da natureza, não apenas em nós humanos.

“É uma tremenda dádiva amar ser quem você é”

Árvore dos Desejos é uma fábula romanceada escrita por Katherine Applegate e publicada no Brasil pela editora Intrínseca. Ela compôs a caixa comemorativa de 2 anos do Clube Intrínsecos e vai ser publicada oficialmente em 27 de outubro deste ano. Não é à toa que a edição está muito bem feita; com capa dura de efeito brilhante e excelente diagramação com ilustrações.

Apesar do foco ser nos desejos, o livro fala sobre amizade. Red, um carvalho centenário, é a Árvore dos Desejos amiga de uma corvo chamada Bongô. Sua amiga é fiel a ela e fica o tempo inteiro tentando ajudar Red em suas peripécias. Red é alvo de uma tradição dos humanos, que atam fitinhas e papéis com pedidos aos seus galhos na esperança que eles se realizem.

Red escuta pacientemente os pedidos dos seres humanos durante seus mais de duzentos anos de vida sem se intrometer nas deles, mas um dos desejos a faz violar uma das regras mais importantes e sagradas das árvores: nunca fale com um ser humano.

A fábula é narrada em primeira pessoa por Red, conferindo ao interlocutor outra visão sobre o que é ser uma árvore: ter muito tempo de vida, mas estar sujeita às ações animais. Esta escolha da autora é primordial para que o leitor se sinta na pele dela e compreenda como a humanidade é agressiva com a natureza, principalmente com as árvores.

Red, no entanto, não demonstra raiva nem rancor para com a humanidade. Ela é sábia, vive em harmonia, mas também tem traços ingênuos em alguns momentos. Por isso que a amizade com Bongô, a corvo, é muito bom pra ela, uma vez que a ave é bastante esperta e livra a amiga de apuros.

A árvore diz o tempo inteiro que não é boa piadista, mas que sabe contar boas histórias, porém é impossível não perceber a maior piada que a história dela nos revela. Red é uma árvore; árvore tem vida, e o leitor está lendo um livro em papel, que é feito do cadáver de uma árvore. Inclusive, tem uma passagem que ela chega a mencionar isso.

“Na verdade, eu poderia até ser um livro”

Não é uma piada para rir, porém. É bem triste. Mas a sutileza de Katherine é tamanha que, mesmo envergonhados em lermos sobre um cadáver da árvore, conseguimos avançar na leitura.

O bom humor de Red ajuda o leitor a desenvolver empatia pela árvore. Mesmo ela não contando boas piadas, ela acaba dizendo algumas coisas engraçadas, se não fossem tristes.

A fábula se foca principalmente no desejo e na amizade porque este é o maior desejo de Red: ser amiga da humanidade, devolvê-la à comunhão natural. Esse desejo não é revelado, mas dá pra perceber no modo como ela encara a vida ao seu redor.

“Ah, quanta coisa eu queria poder dizer àqueles dois. Queria dizer que a amizade não tem que ser complicada. Que às vezes nós é que permitimos que o mundo a transforme em uma coisa difícil”

Além dessa perspectiva, Árvore dos Desejos também funciona como uma metáfora do planeta Terra. Red comenta sobre os moradores de seus ocos; os gambás, as corujas, o corvo, os guaxinins e outro animais; quando ela é ameaçada em ser cortada, eles se unem para protegê-la.

O ser humano mora em uma árvore. Uma árvore gigantesca chamada Terra. Ela está sendo cortada a cada dia que passa. Nós vamos protegê-la? Ou a deixaremos morrer?

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Resenha

João e Maria

Livro: o prestigiado Neil Gaiman e o incrível Lorenzo Mattotti se encontram para recontar um clássico.

Mylla Martins de Lima

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João e Maria é uma adaptação de um dos contos dos Irmãos Grimm feita por Neil Gaiman e ilustrada por Lorenzo Mattotti. O livro foi trazido para o Brasil através da editora Intrínseca em 2015.

Embora todos conheçam a história, revisitá-la vale muito a pena, pois um olhar menos infantil acaba tornando tudo mais chocante. As ilustrações de Lorenzo fazem com que essa experiência seja ainda mais tensa, enquanto a escrita de Gaiman apresenta toques pessoais muito sutis.

Não houve mudanças extremas durante a narrativa e o clássico só ganhou olhares mais maduros, sem interferir na personalidade dos personagens. O foco é na crueldade dos pais e da ”bruxa”, que sofre uma repaginada e é apresentada em uma versão mais realista, sem muita fantasia e misticismo, como uma senhora canibal e exploradora. Reler desse ponto de vista é realmente perturbador.

“As crianças dormiam em montes de feno. Os pais, em uma cama antiga que pertencera à avó do lenhador. João acordou no meio da noite com uma dor aguda e vazia na barriga, mas não disse nada, porque sabia que tinha pouca coisa para comer. Ele manteve os olhos fechados e tentou voltar a dormir. Quando dormia, não sentia fome”

Um lenhador e sua esposa com dois filhos vivem em uma cabana muito próxima à floresta. Apesar do estilo de vida humilde, sem qualquer tipo de luxo e muito trabalho braçal do homem, a comida nunca faltou. Foi quando a guerra se instaurou no local que veio a escassez, e com ela, a fome.

João foi quem ouviu os planos da mãe de ”esquecê-los” na floresta, pois seria mais fácil sobreviver dois que quatro. Essa é uma das cenas enfatizadas por Gaiman. Apesar de contestar de primeira, o pai logo se cala, mostrando-se submisso à loucura da mulher, levando seus filhos para um ”passeio” assim que acordaram.

”Somos quatro — disse a mãe. — Quatro bocas para alimentar. Se continuarmos assim, vamos todos morrer. Sem as bocas a mais, eu e você teremos chance.

[…] — Se você não comer —  respondeu a mulher — , não vai conseguir brandir o machado. E, se não conseguir cortar uma árvore ou levar lenha para a cidade, todos morreremos de fome. É melhor morrerem dois do que quatro. É só questão de matemática, uma questão de lógica”

O final desse conto todos já devem saber, mas o desenrolar dela pelas palavras de Gaiman é realmente impressionante, destacando as horas de medo e descrença, como é o caso da argumentação tão fria da mãe que convence seu marido a sacrificar seus filhos em troca de sua própria sobrevivência.

Nas últimas páginas do livro, uma contextualização do conto ao longo do tempo é feita. É muito interessante a causa de sua transformação! A crueldade não se restringe à ficção, já que no medievo, durante a Grande Fome, famílias simples como a do livro, costumavam abandonar seus filhos ou pior, alimentarem-se da carne deles. A prática de canibalismo era muito comum nesse período.

Essa edição é muito bonita e sua ilustração a torna ainda mais incrível, dando um clima medonho ao que já faz parte de um cenário de horror, mas que a mente inocente infantil não entendia.

Um presente aos fãs de Gaiman e um convite para aqueles que não conhecem o autor.

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HQs

Resenha | Aprendendo a cair

Uma belíssima grafic novel comovente e com diálogos sem filtro.

Mylla Martins de Lima

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A editora Nemo acaba de lançar mais uma HQ emocionante contada do ponto de vista de um jovem com necessidades especiais. Escrita pelo alemão Mikael Ross, esse quadrinho é tão profundo quanto a história por trás dele.

Aprendendo a cair tem sua origem no aniversário de 150 anos da Fundação Evangélica Neuerkerode, que gere uma cidade pequena composta por cidadãos que, em sua maioria, sofrem de algum tipo de transtorno mental. O mais interessante em meio a toda essa novidade é que essas pessoas, mesmo com suas peculiaridades, possuem uma vida como de qualquer outra, com seus empregos, lazeres e afazeres.

O quadrinho foi encomendado para Mikael em comemoração a essa data tão especial, e o mesmo levou muito a sério, morando durante um certo período no local para entender a vida dessas pessoas e o cotidiano de cerca de 800 habitantes. Feita sua pesquisa de campo, a história levou mais dois anos e meio para ser finalizada e terminar nessa edição incrível, com uma história tão cativante, que deixa o leitor morrendo de vontade de viajar para conhecer as personalidades tão fofas e engraçadas mencionadas na narrativa.

A grafic novel foi lançada na Alemanha em 2018, e um ano após sua publicação, a mesma foi a vencedora do maior prêmio de quadrinhos local, o Maz und Moritz, entregue durante a Mostra Internacional de Quadrinhos de Erlangen, feita a cada dois anos.

A história de Aprendendo a cair é contada pela perspectiva de Noel, um menino que ama AC/DC e sonha em tocar guitarra. Com a morte repentina de sua mãe, e sem seus familiares por perto, sua vida sofre uma grande mudança e ele acaba tendo de ir para longe de Berlim, morar em Neuerkerode.

Nesse centro de cuidados, o menino conhece outras pessoas como ele e, mesmo sendo a primeira vez que Noel fica longe de sua mãe, ele se diverte, faz amizade e até se apaixona… por ser tudo muito novo, cada dia da vida do menino é muito intensa! As suas descobertas são contadas em poucas páginas, fazendo os capítulos ficarem bem curtos e facilitando a degustação do público.

A arte dessa obra é apaixonante! A edição é toda colorida, feita com muito carinho e capricho, como tudo da editora. As ilustrações têm traços muito particulares, usando marcadores e lápis de cor para dar textura na finalização. Não poderia ter ficado melhor ou combinado mais com os personagens e o tom como o autor quis narrar a trama.

Aprendendo a cair é uma história de superação, que diverte, encanta com personalidades inesquecíveis e humor bem leve e aquece o coração de quem lê. A HQ arranca sorrisos de forma bem natural e por quadros bem simples.

Os diálogos engraçados de Noel e seus amigos juntos à arte maravilhosa tornam essa HQ incrível. Ela merece um espacinho na estante de cada um.

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