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Rodrigo Roddick

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Diferente do primeiro livro que expande o universo da série, Stranger Things – Cidade nas Trevas explora a vida de um dos personagens icônicos da história: Hopper. Para quem ficou com saudade do personagem, a obra é uma boa pedida. Entretanto é importante frisar que o livro não é uma sequência do primeiro, Stranger Things – Raízes do Mal.

A segunda obra oficial da série também foi publicada pela editora Intrínseca em fevereiro. Cidade nas Trevas foi escrito por Adam Christopher, diferente de Raízes do Mal, que possui autoria de Gwenda Bond. Adam possui um histórico interessante. Já colaborou com a antologia comemorativa de 40 anos de Star Wars; escreveu Empire State, considerado o livro do ano pela SciFiNow; já escreveu livros oficiais da série Elementaray e ainda foi coautor da HQ The Shield.

A história de Cidade nas Trevas começa com James Hopper e Eleven em uma tarde de verão. El está entediada e Jim tenta entretê-la contando a ela uma de suas façanhas durante sua trajetória como policial, mais precisamente quando esteve em Nova Iorque em 1977.

Antes de continuar a explicitar a sinopse, vamos a um parêntesis. Essa maneira de começar o livro desperta no leitor um lembrete sobre uma das funções de uma história: seu poder de entreter. E isso pode levá-lo a uma reflexão profunda, revelando que a narrativa é o que preenche e dá sentido a uma vida, afinal o que é o entretenimento senão “ocupar o tempo”; tempo qual estamos vivendo.

O episódio narrado por Jim Hopper vai ser contado durante todo o livro. Ele entretém El com de seus casos mais difíceis de sua carreira e que foi resolvido por ele com ajuda de agentes federais e de Rosário Delgado, uma das nove agentes mulheres que ingressam na polícia através de um programa dedicado a isso. Esta situação revela como a sociedade estava caminhando para a “igualdade” entre os sexos.

“É com orgulho que agora fazemos parte de uma iniciativa liderada pelo próprio comissário. A partir deste mês , detetives mulheres podem ser indicadas a cargos da divisão de homicídios. A detetive Delgado é uma das nove mulheres que começaram a trabalhar nas delegacias dos cinco distritos. Ela terá as mesmas responsabilidades que vocês, trabalhará nos mesmos casos que vocês e provavelmente será tão pé no saco quanto vocês”

O caso de Hopper beira entre o mistério e a razão. A princípio somos levados a acreditar que um líder de uma gangue está seduzindo seus inimigos para trazer o Diabo à terra no dia que eles acreditam ser o Dia da Serpente. Mas a parte racional do plano era apenas causar um blecaute na cidade inteira para que as gangues, então, instalassem o caos. Daí vem o título Cidade nas Trevas.

O romance aponta para a necessidade do ser humano em criar superstições e conviver com elas, uma vez que a sua realidade não é suficiente. E esta discussão se aproxima do tema geral abordado em Stranger Things. Entretanto, a ideia é apenas pincelada no livro, que se concentra mais na determinação de Hopper em ser policial.

“Irmãos. Ó, irmãs! Etamos aqui unidos à sombra negra do senhor das trevas e agradecemos a Ele! Oferecemos o nosso reconhecimento, o nosso sangue, a nossa vida e as nossas almas a Ele. Escutem!”

Revelando a El que ele desejava apenas ajudar as pessoas, Hopper tenta definir com a menina o conceito de heroísmo. Eleven muitas vezes o questiona sobre como a violência praticada pelos policiais pode ajudar alguém, e Hopper explica que às vezes ela é justificada quando utilizada para proteger quem precisa ou fazer o que é certo.

Esse tipo de conversa é importante para a personagem principal de Stranger Things porque ela é a grande heroína da história. E sua criação foi completamente distorcida. Ou seja, através de Hopper, ela pode compreender como utilizar seu poder para ajudar os outros, em vez de atingir os resultados mesquinhos que o Dr. Brenner pretendia.

“Ser herói é legal, mas não é a nossa motivação. Ninguém deveria querer ser um herói. O negócio é querer fazer a coisa certa. Heroísmo não é um trabalho. Ser policial é o meu trabalho. Ser policial é a coisa certa para mim, então é o que eu faço. É o que eu faço agora, é o que eu fazia na época. Era só o meu dever, e tentei fazer da melhor forma possível”

Os olhos mais atentos podem encontrar em Hopper uma persona do “americano”, de como os EUA vendem o que é ser cidadão no país. E dessa forma carimbar na palavra “heroísmo” a interpretação estadunidense do que é ser herói (não nos esqueçamos que os antagonistas principais da série são os cientistas russos). É importante analisar todo o contexto de um livro, pois ele sempre é escrito por “alguém” e esse alguém sempre tem interesses, mesmo que sejam pequenos e irrelevantes.

Cidade nas Trevas não é uma leitura rápida. E às vezes é um pouco cansativa, porque ele descreve o avanço do plano de Hopper para deter o antagonista Saint John. Apesar disso, a linguagem é tão bem cuidada que, nos entrelaces das palavras, o leitor sente o gostinho nostálgico que permeia a série Stranger Things.

O livro acalenta os corações desesperados por mais Stranger Things e ainda revela segredos dos personagens que tanto encantam os espectadores.

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Resenha

João e Maria

Livro: o prestigiado Neil Gaiman e o incrível Lorenzo Mattotti se encontram para recontar um clássico.

Mylla Martins de Lima

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Capa Cabana do Leitor

João e Maria é uma adaptação de um dos contos dos Irmãos Grimm feita por Neil Gaiman e ilustrada por Lorenzo Mattotti. O livro foi trazido para o Brasil através da editora Intrínseca em 2015.

Embora todos conheçam a história, revisitá-la vale muito a pena, pois um olhar menos infantil acaba tornando tudo mais chocante. As ilustrações de Lorenzo fazem com que essa experiência seja ainda mais tensa, enquanto a escrita de Gaiman apresenta toques pessoais muito sutis.

Não houve mudanças extremas durante a narrativa e o clássico só ganhou olhares mais maduros, sem interferir na personalidade dos personagens. O foco é na crueldade dos pais e da ”bruxa”, que sofre uma repaginada e é apresentada em uma versão mais realista, sem muita fantasia e misticismo, como uma senhora canibal e exploradora. Reler desse ponto de vista é realmente perturbador.

“As crianças dormiam em montes de feno. Os pais, em uma cama antiga que pertencera à avó do lenhador. João acordou no meio da noite com uma dor aguda e vazia na barriga, mas não disse nada, porque sabia que tinha pouca coisa para comer. Ele manteve os olhos fechados e tentou voltar a dormir. Quando dormia, não sentia fome”

Um lenhador e sua esposa com dois filhos vivem em uma cabana muito próxima à floresta. Apesar do estilo de vida humilde, sem qualquer tipo de luxo e muito trabalho braçal do homem, a comida nunca faltou. Foi quando a guerra se instaurou no local que veio a escassez, e com ela, a fome.

João foi quem ouviu os planos da mãe de ”esquecê-los” na floresta, pois seria mais fácil sobreviver dois que quatro. Essa é uma das cenas enfatizadas por Gaiman. Apesar de contestar de primeira, o pai logo se cala, mostrando-se submisso à loucura da mulher, levando seus filhos para um ”passeio” assim que acordaram.

”Somos quatro — disse a mãe. — Quatro bocas para alimentar. Se continuarmos assim, vamos todos morrer. Sem as bocas a mais, eu e você teremos chance.

[…] — Se você não comer —  respondeu a mulher — , não vai conseguir brandir o machado. E, se não conseguir cortar uma árvore ou levar lenha para a cidade, todos morreremos de fome. É melhor morrerem dois do que quatro. É só questão de matemática, uma questão de lógica”

O final desse conto todos já devem saber, mas o desenrolar dela pelas palavras de Gaiman é realmente impressionante, destacando as horas de medo e descrença, como é o caso da argumentação tão fria da mãe que convence seu marido a sacrificar seus filhos em troca de sua própria sobrevivência.

Nas últimas páginas do livro, uma contextualização do conto ao longo do tempo é feita. É muito interessante a causa de sua transformação! A crueldade não se restringe à ficção, já que no medievo, durante a Grande Fome, famílias simples como a do livro, costumavam abandonar seus filhos ou pior, alimentarem-se da carne deles. A prática de canibalismo era muito comum nesse período.

Essa edição é muito bonita e sua ilustração a torna ainda mais incrível, dando um clima medonho ao que já faz parte de um cenário de horror, mas que a mente inocente infantil não entendia.

Um presente aos fãs de Gaiman e um convite para aqueles que não conhecem o autor.

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HQs

Resenha | Aprendendo a cair

Uma belíssima grafic novel comovente e com diálogos sem filtro.

Mylla Martins de Lima

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A editora Nemo acaba de lançar mais uma HQ emocionante contada do ponto de vista de um jovem com necessidades especiais. Escrita pelo alemão Mikael Ross, esse quadrinho é tão profundo quanto a história por trás dele.

Aprendendo a cair tem sua origem no aniversário de 150 anos da Fundação Evangélica Neuerkerode, que gere uma cidade pequena composta por cidadãos que, em sua maioria, sofrem de algum tipo de transtorno mental. O mais interessante em meio a toda essa novidade é que essas pessoas, mesmo com suas peculiaridades, possuem uma vida como de qualquer outra, com seus empregos, lazeres e afazeres.

O quadrinho foi encomendado para Mikael em comemoração a essa data tão especial, e o mesmo levou muito a sério, morando durante um certo período no local para entender a vida dessas pessoas e o cotidiano de cerca de 800 habitantes. Feita sua pesquisa de campo, a história levou mais dois anos e meio para ser finalizada e terminar nessa edição incrível, com uma história tão cativante, que deixa o leitor morrendo de vontade de viajar para conhecer as personalidades tão fofas e engraçadas mencionadas na narrativa.

A grafic novel foi lançada na Alemanha em 2018, e um ano após sua publicação, a mesma foi a vencedora do maior prêmio de quadrinhos local, o Maz und Moritz, entregue durante a Mostra Internacional de Quadrinhos de Erlangen, feita a cada dois anos.

A história de Aprendendo a cair é contada pela perspectiva de Noel, um menino que ama AC/DC e sonha em tocar guitarra. Com a morte repentina de sua mãe, e sem seus familiares por perto, sua vida sofre uma grande mudança e ele acaba tendo de ir para longe de Berlim, morar em Neuerkerode.

Nesse centro de cuidados, o menino conhece outras pessoas como ele e, mesmo sendo a primeira vez que Noel fica longe de sua mãe, ele se diverte, faz amizade e até se apaixona… por ser tudo muito novo, cada dia da vida do menino é muito intensa! As suas descobertas são contadas em poucas páginas, fazendo os capítulos ficarem bem curtos e facilitando a degustação do público.

A arte dessa obra é apaixonante! A edição é toda colorida, feita com muito carinho e capricho, como tudo da editora. As ilustrações têm traços muito particulares, usando marcadores e lápis de cor para dar textura na finalização. Não poderia ter ficado melhor ou combinado mais com os personagens e o tom como o autor quis narrar a trama.

Aprendendo a cair é uma história de superação, que diverte, encanta com personalidades inesquecíveis e humor bem leve e aquece o coração de quem lê. A HQ arranca sorrisos de forma bem natural e por quadros bem simples.

Os diálogos engraçados de Noel e seus amigos juntos à arte maravilhosa tornam essa HQ incrível. Ela merece um espacinho na estante de cada um.

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Resenha

Endurance: um ano no espaço

Livro narra a aventura no espaço de Scott Kelly.

Paulo H. S. Pirasol

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endurance capa pro site

Endurance: um ano no espaço foi escrito por Scott Kelly com Margaret Lazarus Dean. A obra é um biografia de Scott Kelly, veterano de quatro viagens espaciais, das quais a maior delas é descrita neste livro, a missão: um ano no espaço.

Toda a jornada de Scotty Kelly tem um peso forte para os dias atuais, apesar de Endurance ter sido lançado no Brasil em 2017, pela Intrínseca. O livro conta com a tradução de Andrea Gottlieb e Thaís Paiva, uma edição que traz além de palavras, mas também fotografias tiradas pelo próprio astronauta durante sua missão.

A obra não aborda apenas o cronograma de um astronauta, embora explique com clareza os procedimentos que são feitos.

O grande destaque está no que leva Scott Kelly a deixar sua família e o planeta por um ano para realizar a possível jornada mais perigosa da história; ainda mesmo que voltando vivo, não saberia os graus de impacto que seu corpo sofreria, esses resultados foram o grande objetivo da missão, descobrir o que acontece com o corpo humano no espaço durante esse período.

“Todas as partes do meu corpo doem. Todas as minhas juntas e todos os meus músculos protestam contra a pressão esmagadora da gravidade”

Endurance

No início da década de 1920, a Antártida era o objetivo de explorações geográficas e científicas internacionais. A Expedição Endurance, realizada em julho de 1915, é considerada a última grande expedição daquele momento, o objetivo era de atravessar o continente.

navio da expedição endurance

Mas a expedição não ocorreu como planejado, o navio Endurance ficou preso no gelo e foi esmagado.

Ernest Henry Shackleton (o explorador encarregado de liderar a expedição) e sua equipe tiveram que passar por uma enorme travessia até encontrarem abrigo na Georgia do Sul (1278 km de distância onde o navio foi esmagado).

Entretanto, não conseguiram resgatar o restante da equipe devido ao congelamento do mar. Mas Ernest não desistiu e rumou até o Chile para conseguir ajuda. Os sobreviventes se sentiram forçados a matar seus cachorros para se alimentarem; ficaram no gelo por meses seguidos e quase morreram congelados. Atravessaram montanhas antes consideradas intransponíveis. Ainda assim, a expedição não perdeu nenhum membro.

Em agosto de 1916, ele consegue resgatar toda a sua tripulação que ficou conhecida pela bravura, companheirismo e incrível vontade de sobreviver.

O livro A incrível viagem de Shackleton, de Alfred Lansing (que conta sobre a expedição) é um dos objetos que Scott Kelly gosta de ter em suas viagens no espaço.

“Quando tento me colocar no lugar deles, penso que a pior coisa deve ter sido a incerteza. A incerteza da sobrevivência deve ter sido pior do que a fome e frio. Quando leio sobre sua experiências, penso em como o desafio deles foi muito maior do que o meu. Às vezes pego o livro especificamente por essa razão”

O significado de “endurance” é resistência que é o fundamental para qualquer momento perigoso.

scott kelly em endurance

Para Scott Kelly, a essência da vida boa dependia do grau de risco enfrentado, quanto mais desafiadora, mais lhe agradava. Na obra ele conta as dificuldades que teve para se ingressar em outros campos e dar atenção a certos assuntos que não atiçavam os seus desejos. Mas também porque ele ainda não se conhecia, apenas sabia que enfrentar o perigo era aonde queria estar.

Ainda no colegial comprou um livro chamado The Right Stuff (Os Eleitos) de Tom Wolfe, sobre uma aventura de pilotos da marinha, aquilo o atraiu pois mostrava como a dificuldade no mundo real está sempre além do que sabemos.

“Em um livro, encontrei algo que achava que jamais encontraria: uma ambição. Quando fechei aquelas páginas tarde da noite, havia me tornado alguém diferente”

Durante a missão de um ano, Scott liga para o autor de Os Eleitos e pergunta como ele poderia começar a escrever um livro, a resposta leva a forma como o astronauta decidiu fazer Endurance.

O Peso da mortalidade

O Catraca Livre, portal de notícias, fez em 2019 uma lista das 10 carreiras mais arriscadas do mundo e astronauta está nela.

endurance foto que tem no livro

No decorrer do livro, Scott Kelly conta inúmeras histórias de falhas que levaram a acidentes ou fins trágicos de cosmonautas com o intuito de prestar homenagens e também de explicar ao leitor o porquê certas tradições do serviço, principalmente russas, são feitas.

“Não preciso urinar, mas é uma tradição: quando Yuri Gagarin estava a caminho da plataforma de lançamento para o seu primeiro voo espacial histórico, ele pediu para estacionar – mais ou menos aqui – e fez xixi no pneu direito da frente do ônibus. Depois disso, foi para o espaço e voltou vivo. Então agora, todos temos que fazer a mesma coisa”

Para Scott, reconhecer aqueles que enfrentam seus desafios é muito importante na vida de uma pessoa; é a forma como ela presencia o exemplo de: fazer a vida ser bem vivida.

O peso que ele encontra em sua mortalidade não faz temer perdê-la, mas buscar bom uso do seu tempo de vida.

A obra mostra como é importante reconhecermos o quanto pessoas estão dispostas a sofrer para garantir avanços na melhoria de vida humana, e como é árduo que elas mantenham a resiliência.

Covid-19

Em tempos de pandemia, conhecer a perspectiva de Scott Kelly pode abrir nossos olhos para reconhecer os esforços que têm sido feitos por muitos para assegurar um futuro mais seguro; também puxa a nossa atenção para a segurança contra os riscos que nos desafiam. Recentemente o astronauta deu dicas de como suportar a quarentena.

Sua grande observação quanto ao momento pós-conflito ou até mesmo o porquê de você resolver um conflito: é para que possa se reunir com seus entes queridos.

“Sentar-se a uma mesa e fazer uma refeição com quem se ama é algo simples, e muitas pessoas fazem isso todos os dias sem dar muita importância. Para mim, é algo com que tenho sonhado há quase um ano”

O filme Gravidade (2013), dirigido por Alfonso Cuarón e estrelado por Sandra Bullock buscar mostrar a coragem naqueles que aceitam carreiras arriscadas, mas se você quiser ver isto na vida real como Scott Kelly viu ao ler Os Eleitos, basta você ligar a televisão ou entrar na internet que verá o mundo inteiro enfrentando um perigo para garantir a sua segurança e a de todos. Então, é importante manter-se seguro como um astronauta e valorizar as refeições com aqueles que ama (dentro de casa, caso não seja possível aguarde como um astronauta).

Endurance ressalta o heroísmo na jornada de Scott Kelly e de Ernest Henry Shackleton. O valor da missão está na bravura de superar um desafio, no desejo de enfrentá-lo e saber que vencer um perigo é, acima de tudo, garantir a segurança do próximo.

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