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Resenha

Resenha | O Homem de Giz

Título remete à metáfora sobre reflexão humana: enxergar no espelho as próprias características.

Rodrigo Roddick

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Os adultos carregam desde a infância seus medos, desejos e experiências e tudo isso se sintetiza em uma marca que chamamos de personalidade. O Homem de Giz vem acrescentar mais material para enriquecer esta discussão. Com um pano de fundo criminal, C. J. Tudor conduz o leitor para uma investigação de sua própria identidade.

“Quero que tudo isso não passe de um pesadelo terrível. Mas a realidade é sempre mais difícil e cruel”

Publicado em março de 2018 pela editora Intrínseca, o Homem de Giz é o romance de estreia da britânica C. J. Tudor, que passeou por diferentes profissões até se encontrar na escrita. A história, que possui o gostinho de Stranger Things e It – A Coisa, gira em torno de um assassinato de uma jovem de dezessete anos que mantinha relacionamento com um homem mais velho. A narrativa é conduzida por Eddie, o personagem principal, que vai contando as peripécias de sua gangue, como ela se envolveu com crime e como eles cresceram com isso.

A autora também escreveu O que aconteceu com Annie e participou de um debate na 19ª Bienal do Livro Rio que aconteceu este ano junto de Raphael Montes. Além de confessar que escreve livros de terror porque é uma maneira de conversar com seus medos, ela mais uma vez enfatizou a sua grande inspiração em Stephen King; e não apenas com palavras. Tudor estava usando uma camiseta com as duas meninas de O Iluminado.

Arena #Semfiltro: encontro entre C.J. Tudor e Raphael Montes

“Amigos de verdade são pessoas que você ama e odeia na mesma medida, mas que são parte de você tanto quanto você mesmo”

Por esse motivo, não é mistério algum que o leitor de Tudor vá encontrar forte influência de Stephen King em O Homem de Giz. Isso se torna ao mesmo tempo instigante e um pouco anticlímax. Porque se a pessoa for um fã de King – o que provavelmente deve ser, se gosta de leituras de horror – ela vai adivinhar facilmente alguns pontos da história, como o assassino, por exemplo.

“Todo mundo erra. Todo mundo tem o bem e o mal dentro de si”

Entrementes, O Homem de Giz se prova uma verdadeira busca por nossa identidade. Enquanto humanos, as pessoas manifestam sempre a tentativa de se compreender através do que os outros veem delas misturado a uma concepção do que elas fazem delas mesmas e ainda de acordo com os seus sentimentos, aos quais dão atenção comedida. Mas poucas pessoas realmente se consultam com um psicólogo para encarar essa busca com mais seriedade e profundidade; poucas leem livros com essa finalidade e uma parcela menor ainda sabe que está fazendo isso.

“Afinal, quem somos nós além da soma de nossas experiências, das coisas que aprendemos e colecionamos ao longo da vida? Sem isso, não passamos de um conjunto de pele, ossos e vasos sanguíneos”

Tudor propõe que olhemos para trás, para nossa infância, de modo a compreender o momento que originou tal comportamento, ou o acontecimento que nos fez temer alguma coisa, até mesmo uma pequena rixa que nos fez odiar para sempre uma pessoa. Acontece que tudo na vida nos marca. Talvez desenhar homenzinhos de giz seja uma forma do subconsciente nos mostrar que queremos – ou precisamos – conversar com nosso interior.

“Esse é o problema com adultos: às vezes não importa o que você diga, eles só ouvem o que querem ouvir”

Outro debate bem interessante ao qual a autora convida o leitor é sobre a morte. Além de presenteá-lo com os pensamentos das crianças em relação a este tema, ela, ao mesmo tempo, aponta esta questão: como os pequenos lidam com a morte? O assunto no livro é tratado da maneira mais orgânica que se pode imaginar. Para isso basta analisar como ela é vista no cotidiano. Tudor mostra como ela, a mais temida pelo ser humano, fica escondida no meio de um monótono dia a dia e como as pessoas estão mais preocupadas em se iludir. Também faz questão de lembrar aos esquecidos que eles um dia morrerão, querendo ou não.

“A morte não aceita argumentos. Nenhum apelo final. Nenhum recurso. Morte é morte, e ela detém todas as cartas”

O leitor de Tudor não vai encontrar neste romance um thriller policial vibrante em que as pistas vão apontar resultados eletrizantes. Ela trabalha com a causalidade e transmite isso muito bem ao colocar elementos triviais como fechamento dos casos. Ou seja, ela brinca com as conjecturas do espectador, que, de tão acostumado pela mídia, espera uma reviravolta de outro planeta, mas descobre que o resultado, na verdade, é algo bem comum; algo que poderia acontecer no cotidiano de qualquer pessoa, inclusive no dele.

“As pessoas sempre vão trapacear, Eddie. E sempre vão mentir. Por isso é muito importante questionar tudo. Sempre tente enxergar além do óbvio”

A autora escreve com uma leveza gostosa que é, ao mesmo tempo, estranha ao tema morte. Além disso a fluidez que ela aplica em suas palavras é o que te faz ler cem páginas, acreditando que leu dez. A forma como funciona a mente da escritora no processo criativo é uma beleza à parte, pois evidencia como ela sabe contar uma história. Tudor é muito gentil nas palavras, assim como Neil Gaiman – deve ter alguma coisa na água dos britânicos [risos] – pois mesmo quando narra acontecimentos sangrentos e violentos, o faz com uma leveza inacreditável.

“Fazemos perguntas esperando que nos digam a verdade que queremos ouvir”

Outro ponto muito positivo são os personagens. É impossível não se apaixonar por eles. Cada um mais peculiar que o outro. O leitor sente que não está lendo, mas participando do diálogo deles, conversando com eles. Este fator é muito importante, porque sem personagem não tem história.

O Homem de Giz chega ao leitor com a promessa de contar um caso policial, mas termina a narrativa fazendo-o pensar na própria existência.

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Resenha | Café da manhã dos campeões

“Um livro sobre dois homens brancos, um escritor mal sucedido e um louco”

Mylla Martins de Lima

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Dentre os lançamentos de novembro da editora Intrínseca, a divertida comédia ácida de Kurt Vonnegut – autor de Matadouro Cinco – ganha seu espaço no coração dos leitores.

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Originalmente publicado em 1973, Café da manhã dos Campeões é atemporal devido à sua escolha de palavras e bom-humor. Foi publicado como uma comemoração de 50 anos de Vonnegut e era fiel às temáticas mais pesadas, contudo quis apostar em uma possível reinvenção, provando que é capaz de atingir diferentes públicos sem deixar seus fãs “raíz” na mão.

“Fui programado para me comportar de forma imatura aos 50 anos – insultando o hino americano, desenhando bandeiras nazistas, e um cu e um monte de coisas com uma caneta com ponta de feltro. Para dar uma ideia do grau de maturidade das ilustrações que eu fiz para este livro, eis o meu desenho de um cu: “

A trágica comédia conta com a história de dois homens que levavam suas vidas de maneiras muito diferentes, Kilgoure Trout e Dwayne Hoover. O primeiro é um escritor mal sucedido que já escreveu muitos histórias de ficção científica, mas que não são publicados no formato de livros e sim em revistas pornográficas que utilizam suas obras apenas para preencher buracos. O segundo é um homem rico, dono de uma agência automobilística e muito mais; o seu único problema é estar à beira da loucura, precisando de pouca coisa para levá-lo à total perda de sã consciência.

Acontece que Dwayne descobre um dos contos de Trout onde o autor fala que apenas uma pessoa possui o livre arbítrio e essa vive em meio à máquinas que foram programadas para cumprir determinadas funções. Isso o leva a pensar que só ele possui a consciência humana e assim se desencadeia sua insanidade. O livro é sobre o início, meio e fim desse encontro.

“Trout e Hoover eram cidadãos dos Estados Unidos da América, um país chamado simplesmente de Estados Unidos para abreviar. Este era o seu hino nacional, que era a mais pura baboseira, bem como tantas outras coisas que se esperava que eles levassem a sério”

O livro é recomendado para alienígenas desde o seu prefácio, como um manual, e por isso o autor dá ênfase à significados óbvios das palavras. Além dessa loucura, o livro tem diversos desenhos originais do Kurt, que vem para completar essas palavras.

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Temas como guerra, sexo, política e racismo viram críticas durante a narrativa. O autor traduz o estilo de vida americano e sua política racial de maneira que o leitor se sinta mal por escapar uma risada, mas que seja impossível não o fazer. O humor distorcido é, sem dúvidas, o destaque do best-seller, dotado de piadas muito inteligentes que Kurt traz em forma de protesto.

“– Será que a rena está ouvindo? – disse Harry

– Foda-se a rena! – Grace acrescentou em seguida – Não, a rena não está ouvindo.”

Rena era o código que eles usavam para se referir à sua empregada negra que, naquele momento, estava bem longe, na cozinha. Era o código que eles usavam para se referir aos negros em geral. Aquilo permitia que falassem sobre o problema dos negros na cidade, um problema bem grande, por sinal, sem ofender nenhum negro que por ventura os ouvisse.

– A rena está dormindo. Ou lendo a Revista dos Panteras Negras – disse Grace”

De uma simplicidade inigualável, o autor não trabalha com segredos nas entrelinhas, tudo é exposto de maneira nua e crua, o que facilita o seu reconhecimento por um público novo. O mesmo se intitula o Deus daquele universo, bem como narrador da história. Isso com certeza o aproxima dos leitores, que se divertem enquanto Vonnegut fala sobre o futuro do personagem com o próprio personagem.

Café da manhã dos Campeões é de uma leitura rápida e reflexiva, diferente de tudo o que já se viu. O livro é dividido em blocos que separam as histórias principais de sub-histórias que são contadas pelo caminho. Suas páginas são de folhas amareladas, apesar do corte branco. A capa é dura com a arte bem parecida com a do livro anterior.

Escrito durante a crise de um homem de meia idade, o livro não deixou nada a desejar. Indicação para quem entende sátiras e gosta de uma boa crítica.

Essa obra é de extrema inteligência. Um livro que literalmente brinca com a loucura.

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Resenha | Rede de Sussurros

Chandler Baker debate o assédio no ambiente de trabalho em um Thriller instigante.

Thaís Rossi

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Considerado um Thriller Feminista, Redes de Sussurros foi o grande lançamento que compôs a caixa #11 do clube Intrínsecos, da editora Intrínseca, lançada em outubro de 2019. Ele foi escrito por Chandler Baker, que viu em sua escrita uma oportunidade para apoiar o movimento #MeToo. A situação se intensificou em 2017 após o jornal New York Times trazer à tona a reportagem de Jodi Kantor e Megan Twohey sobre as alegações de abuso e assédio sexual de diversas mulheres contra o produtor de cinema Harvey Weinstein.

Rede de Sussurros é o sexto livro – e único publicado no Brasil – da autora, que é formada em Direito e atualmente trabalha como advogada coorporativa em Austin, no Texas.

A história gira em torno de Sloane, Ardie e Grace, todas advogadas na empresa Truvit, uma das maiores empresas de roupas esportivas do mundo. Juntas, levam o conceito de união feminina bem a sério e procuram sempre ajudar uma a outra, seja no trabalho ou nas questões pessoais. A vida dessas três mulheres começa a mudar quando o presidente da empresa morre repentinamente e Ames Garret – um homem machista, misógino e aproveitador é cotado para substituir o falecido figurão.

Sabendo da conduta repulsiva de Garret, as três amigas chegam ao limite da paciência – que nenhuma mulher deveria aprender a suportar – quando o futuro chefe faz de uma funcionária recém-contratada seu mais novo alvo. Cansadas de verem as atitudes de Ames serem empurradas para baixo do tapete, elas decidem tomar uma atitude. O que não esperavam é que paralelamente às ações um acontecimento fatal mudaria drasticamente suas vidas e de todo o corpo de funcionários da Truvit.

“Começamos a nos perguntar: ao sussurrar, estávamos guardando os segredos de quem, afinal? Os nossos ou os deles? Nosso silêncio acabava protegendo os interesses de quem no fim das contas?”

A leitura de Rede de Sussurros é, sem dúvidas, extremamente necessária. A primeira coisa a se observar é a maneira como Chandler desconstrói toda a imagem da mulher perfeita. Diferente das personagens – retratadas em grande parte das histórias de ficção como incansáveis – nesse livro as protagonistas são o retrato fiel das mulheres reais: exaustas, insatisfeitas com o tratamento desprezível que recebem da sociedade, que batalham para serem levadas a sério, que engolem sapos etc.

Outro ponto a se destacar é o fato de Baker jogar sal nas feridas de uma sociedade onde a mulher é ensinada a se calar para não perder seu espaço. Rede de Sussurros reserva também um espaço para mostrar a dificuldade que vai muito além dos escritórios da Truvit. Usando seus personagens principais e secundários, Chandler deu uma verdadeira aula sobre assédio moral e sexual, bullying, importância da voz das mulheres dentro de casos de injustiça e o problema na romantização da maternidade. Tudo isso dentro de uma obra envolvente criada para estourar a bolha de quem a lê.

“Queríamos ser tratadas como homens no ambiente de trabalho pelo mesmo motivo que as pessoas têm smartphones: porque isso facilita a vida”

Já o antagonista, Ames, representa a face fiel da sociedade corporativa. Ele é machista, misógino, manipulador, ganancioso com delírios de grandeza que, para quem está de fora, parece ser extremamente íntegro e cheio de valores morais e familiares. O leitor consegue entender que a dedicação da autora em deixar o seu caráter explícito serve para que pessoas que estejam lidando com esse tipo de problema saibam reconhecer os “Ames” do dia a dia, aqueles que fazem de suas vidas um inferno.

Por trás de uma história bem construída, conhecemos uma triste realidade: casos como o das três protagonistas são mais comuns do que se pensa. De acordo com uma pesquisa organizada pelo o site Exame, 34% das mulheres já sofreu algum tipo de abuso sexual em ambiente de trabalho e apenas 2% dos abusos são denunciados. Muitas mulheres são coagidas, através de ameaças de exposição a se calarem diante desses assédios. Outras não denunciam por acharem que a justiça favorece aos assediadores e temem represália.

“Como assédio sexual era uma coisa que acontecia com mulheres, acredite ou não, não gostávamos de admitir que tínhamos sido assediadas. Isso seria o mesmo que admitir que o fato de sermos mulheres importava”

A grande verdade é que, ainda que os assediadores sejam punidos pela justiça, o pior fica para as mulheres que, apesar de serem VÍTIMAS, são humilhadas e culpabilizadas pelo trauma que passaram. Como pedir ajuda a um sistema que foi criada para favorecer o homem?

A narração da história, feita em primeira pessoa por uma mulher, é crucial para o entendimento da trama, pois, com essa técnica, a autora faz o leitor viver na pele a vida de uma mulher (para os leitores homens, isso é uma experiência nova). Com uma linguagem bem-humorada, acessível e dramática, Chandler dá uma verdadeira aula sobre empoderamento, aceitação e feminismo.

“Nosso legado seriam nossas palavras. Gritadas bem alto. Para todos ouvirem. Estávamos fartas de implorar que acreditassem em nós. Não pediríamos mais o benefício da dúvida. Não pediríamos mais permissão. A palavra era nossa. Ouçam.”

Uma coisa a se aprender com a leitura é que você não está sozinha. Em algum lugar do mundo existe uma mãe cansada que às vezes desejou não ter sido mãe ou uma mulher sendo diminuída por não querer filhos. Existem milhares de mulheres que se sentem inferiores por não se enquadrarem em padrões machistas da sociedade; mulheres que já foram culpadas após terem sofrido abusos; mulheres que já julgaram outras mulheres porque o machismo faz com que elas fiquem umas contra as outras. Ao redor do globo existe várias de nós que foram caladas, ridicularizadas, não levadas a sério ou que foram injustamente julgadas apenas por serem do sexo feminino.

A mensagem que a obra nos deixa é clara: mulheres, não devemos nos calar! Foi-se o tempo onde mulheres eram educadas para serem troféus e sorrir após um tapa. Foi-se o tempo em que nosso silêncio era lei e nossa última sentença era “sim senhor!”. Ninguém tem direito de diminuir, ameaçar, ou fazer com que qualquer mulher de poder sinta que não deveria estar ali.

Em caso de assédio moral, sexual, abusos físicos ou psicológicos, denuncie, faça barulho e busque justiça. Você não está sozinha!

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Resenha | Trilogia Bane

Trilogia remete à origem dos Sith e ao sentido do poder ser o conhecimento aliado à emoção.

Thaís Rossi

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“Sempre dois existem. Nem menos, nem mais. Um Mestre, e um Aprendiz”. Quem ouve as palavras de mestre Yoda durante o funeral de Quin-Gon Jinn ao assistir A Ameaça Fantasma não imagina que por trás delas existe uma história que teve grande impacto entre os dois lados da Força. Tais palavras eram tidas como uma filosofia de vida para um lorde Sith que vivera mil anos antes daquele fatídico funeral: Darth Bane
 

A Trilogia Bane teve seu primeiro volume (Caminho de Destruição) publicado em 2017, o segundo (Regra de Dois) em 2018 e terminou em 2019 com A Dinastia do Mal. Os três livros foram escritos por Drew Karpyshyn e impressos no Brasil pela editora Universo dos Livros

 
Dath Bane é um dos lordes mais importantes na história dos Sith. Nascido no planeta Aparatos com o nome Dessel, o Sith foi um dos poucos sobreviventes da guerra Jedi-Sith. A guerra durou cerca de mil anos e colocou os Jedi e os Sith em uma intensa batalha, que marcou o crescimento dos Sith na galáxia, o início da queda da República e o crescimento de militantes pela Ordem Jedi. 
 
Sua entrada para o lado sombrio foi influenciada por sua vida sofrida, repleta de agressões físicas, mentais e verbais de um pai que o odiava por achar que ele era responsável pela morte de sua mãe. O desprezo era tanto que o pai o chamava de Bane (desgraça). Seus sentimentos de revolta e de ódio por sua vida e por seu pai foram suficientes para transformar Dessel no aspirante a Sith mais promissor da academia. Foi isso o que seus mestres desejaram assim que o admitiram na Irmandade da Escuridão. A partir dalí, Dessel fez da desgraça seu nome e passou a ser chamado de Bane

Batalha Jedi-Sith

Com uma arrogância do tamanho da estratosfera, Bane estava certo de que era o escolhido para comandar os Siths, fazendo com que seus mestres passassem a vê-lo como uma ameaça, já que ele não respeitava o princípio da Irmandade.  

“Todos são iguais na irmandade da Escuridão”

Lorde Kaan, líder da organização

Para bane, a irmandade era uma mentira que levou Kaan a comandar falsos Sith, usando uma filosofia que os levou para o fracasso. Para Darth Bane, os princípios da irmandade eram tolos e faziam com que os Sith ficassem vulneráveis.  

Lorde Kaan

Enquanto Kaan levava os Sith para uma guerra de territórios sem sentindo, Bane se dedicou a aprimorar suas habilidades na Força e estudar por meios próprios através de escrituras e holocrons de antigos mestres Sith. E foi nesses estudos que Bane conheceu a, até então extinta, Regra de Dois. O código dizia que somente pode haver um mestre para deter todo o poder e um aprendiz para cobiçar e ser ensinado até que seja forte o suficiente para desafiá-lo, tomar o título de mestre e continuar a linhagem através do seu próprio pupilo. 

“Pode haver apenas dois, não mais, não menos. Um para encarnar o poder, outro para cobiçá-lo.” 

Decidido a trazer os princípios do antigos Sith de volta, Darth Bane retorna a Russan, onde manipulou Kaan a explodir uma bomba mental que levou à extinção dos Sith e à destruição de milhares de Jedis, dando fim à guerra. A partir daí, Darth Bane, único Sith sobrevivente, começa sua odisseia para trazer de volta as raízes dos antigos mestres.  

“A força é veneno. Se ela é dosada em várias taças, perde sua potência até que se torne tão diluída que causa apenas irritação. Entretanto, coloque essas taças em um único vasilhame e você terá o poder de parar o coração de um dragão krayt.”

O Livro dos Sith

Sua jornada como mestre começa quando conhece Zannah, uma youngling (padawan criança) de dez anos sobrevivente da guerra. Bane encontra nela todo o potencial necessário para o lado negro e faz da menina sua nova aprendiz. Assim começa o legado que o consolidou como uma lenda. 

Momento do encontro entre Bane E Zannah

Em Dinastia do Mal, vinte anos se passaram desde que Darth Bane, atual Lorde Sombrio dos Sith, mandou pelos ares a antiga ordem sombria e a reinventou com a lendária Regra de Dois – um mestre para exercer o poder e transmitir a sabedoria, e um aprendiz para estudar, desafiar e destituir o lorde sombrio em um duelo até a morte. Mas Zannah, agora com trinta anos, ainda reluta em desafiar seu mestre. Isso faz Darth Bane questionar seu potencial para seguir o legado.

Determinado a não deixar que a falha de Zannah destrua tudo o que ele construiu, Darth Bane parte em uma viagem exploratória disposto a encontrar os segredos de um antigo Lorde Sombrio que vai imortalizar seu legado Sith – e a si mesmo.  

Depois de se livrar da sua armadura de parasitas Orbalisks no fim do livro Regra de Dois, Darth Bane se torna incomodado com sua mortalidade, pois precisa continuar forte para enfrentar sua aprendiz, ou continuar vivo para treinar um novo caso Zannah venha a falhar. Preocupado com o rumo de seu legado, o Sith começa a lidar com espasmos causados pelo desgaste da idade e isso se torna um lembrete constante de que ele é um ser humano, apesar de seu extremo poder.  

O fato de Darth Bane estar enfraquecendo deixa a leitura ainda mais emocionante. A narrativa de sua pendência com Zannah misturada a novas tramas faz o leitor ficar aflito para saber como tudo se conecta e como será o desfecho do poderoso Darth Bane. 

É nesse romance que Darth Zannah mostra a que veio. Desempenhando um papel com maior destaque, ela se torna uma personagem mais solidificada. Implacável, feroz e dona de si, sua personalidade e inteligência nos faz torcer por ela, mesmo sabendo que no fim os Sith serão a ruína dos Jedis e da República

Darth Zannah

  
Zannah foi uma das personagens mais bem construídas dentro do Universo expandido Star Wars. A escolha do autor em colocá-la como aprendiz de Darth Bane é simplesmente genial pois mostra ao leitor dois lados de um mesmo destino. Enquanto Bane entrou no Lado sombrio por um evento acidental, Zannah escolheu esse caminho.

Observar, como expectador, a diferença dos dois enquanto trilham o caminho das trevas é emocionante. Darth Zannah é um dos Sith mais poderosos que o leitor vai conhecer. Além de dominar as técnicas ensinadas por seu Mestre, a aprendiz se aperfeiçoou em feitiçaria Sith, habilidade que a tornou quase implacável

Ao chegar no grande confronto final somos presenteados com cenas de uma batalha épica. Apesar de ter explorado bem a luta com sabre de luz – marca registrada de Star Wars – Drew Karpyshyn decidiu focar mais nos poderes individuais dos personagens através da Força, o que faz com que o leitor fique ainda mais sem fôlego.  

Confronto final entre mestre e aprendiz

Bane usa seu fenomenal domínio da Força para derrubar sua oponente, levando-a a uma postura defensiva. Mas Zannah usa e abusa das habilidades de mexer com a mente de seu oponente (adquiridas nos estudos de Feitiçaria Sith), colocando-a como uma adversária tão boa quanto seu mestre. Diante de habilidades tão poderosas, o autor nos deixa no escuro até o último momento, levantando nossa curiosidade para saber quem sairá vencedor e levará o legado Sith adiante. 

Além da trama de Bane e Zannah, em Dinastia do Mal somos apresentados a personagens que passaram despercebidos nas duas obras anteriores. Dentre os personagens que ganham mais profundidade no terceiro volume temos Serra, filha do curandeiro, e Caleb, que foi vítima de Darth Bane no segundo livro.  

Em uma revolta contra a realeza, mineiros do planeta Doan tiraram a vida do príncipe – marido de Serra. A dor do seu luto é tão comovente que faz com que sua guarda-costas (e melhor amiga) Lucia contrate uma assassina de aluguel para acabar com os responsáveis pelo sofrimento de sua senhora. Antes de ser guarda-costas real, Lucia foi uma integrante do exército Sith, subordinada de Darth Bane, por quem ela tinha grande admiração.  

Em Dinastia do Mal, o autor também nos faz conhecer um pouco mais sobre a classe dos Jedis Sombrios, aqueles que abandonam a ordem jedi e começaram a adotar as práticas do Lado Sombrio. Para representar essa classe, o autor nos trouxe o personagem Seth Harth: um colecionador de relíquias Sith cujo o caminho acaba se cruzando com o dos nossos protagonistas, fazendo com que seu lado negro aflore ainda mais. 

Jedis Sombrios

  
Trazer à tona personagens que, em outras obras, foram irrelevantes foi uma maneira inteligente do autor de ensinar aos leitores que cada personagem que passa pela história tem seu devido valor. 

Os leitores que aguardavam pelo livro desde 2017 não vão ficar desapontados. Drew Karpyshyn entregou uma verdadeira obra de arte que fez valer cada dia de espera. A aventura consolida perfeitamente os Sith aos seus antecessores e vem com um desfecho incomum e emocionante. 

“A paz é uma mentira, só há paixão 
Através da Paixão eu ganho força 
Através da força eu ganho poder 
Através do poder eu ganho Vitória 
Através da vitória minhas correntes 
são quebradas. 
A força me libertará” 

Código Sith

 
A saga de Darth Bane é um excelente exemplo da natureza colaborativa, interativa e cumulativa de contar histórias no universo expandido. Com uma história recheada de tramas perfeitamente elaboradas, Dinastia do Mal veio para consagrar as obras como um dos melhores conjuntos já criados dentro do maravilhoso universo de Star Wars.

Aproveite o clima e assista ao novo filme Star Wars – A Ascensão Skywalker. Ele está disponível nos cinemas.

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