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Livros

Férias de verão | As 7 melhores adaptações de 2019

É possível uma nova linguagem superar sua produção de origem? O que uma adaptação deve contemplar?

Rodrigo Roddick

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Julgar uma adaptação é sempre uma tarefa difícil e que coleciona inúmeras controvérsias. As categorias facilitam para premiar uma obra dentro do seu nicho de atuação e proposta, mas tem uma característica que todas as produções culturais possuem em comum: a história. Toda obra possui uma história.

A história é a única e última coisa que fica na mente de um interlocutor quando tiramos todos os outros elementos (cenas, efeitos especiais, diagramação, narração etc). Por esse motivo, o critério utilizado para compor este ranking é a história e como ele foi adaptada para a mídia proposta, se ela conseguiu manter a premissa original, se conseguiu “acontecer” na adaptação, se foi bem desenvolvida e o que conseguiu agregar de “novo” à história principal já conhecida.

Seguindo estes trâmites, nas linhas abaixo vocês vão poder conhecer quais foram as melhores adaptações – de livro ou HQ para filme/série e vice e versa – lançadas em 2019.

7. IT – Capítulo Dois

É impossível um ranking de melhor adaptação não conter algum exemplo de Stephen King. O filme foi lançado em setembro de 2019 e conta a segunda parte da história baseada no livro It – A Coisa que foi publicado no Brasil pela editora Suma em julho de 2014. It – Capítulo Um foi lançado em setembro de 2017, mas em 1990 houve uma adaptação para o audiovisual com o nome IT e contava a história inteira do livro.

Chamado carinhosamente por seus fãs de Mestre do Horror, King consegue construir uma verdadeira investigação sobre o medo em suas histórias narradas na literatura. Mas será que o cinema conseguiu captar a essência do “eu lírico” do mestre ao traduzir suas palavras em imagens?

Sim e não. Sim, o filme IT – Capítulo Dois consegue imprimir nas imagens a narrativa proposta pelo livro, mas não consegue desenhar perfeitamente que o medo é um produto subjetivo do desconhecido, do que não vemos, e por isso, do escuro. Em sua literatura, sempre que lemos King, é possível observar essa naturalidade com a qual o escritor traz à tona a essência do medo e como ele se desenvolve nos seres humanos. 

IT – Capítulo Dois então estaciona em sétimo lugar do nosso ranking por conseguir fazer uma boa adaptação da história, mas contar – a um olhar aprofundado – mais do mesmo quando o assunto é cinema. Realmente tem belas imagens e cenas apavorantes, mas o sentido subjetivo do medo fica perdido em meio a tantos artifícios visuais.

6. Cemitério Maldito

O filme é um remake baseado no livro O Cemitério de Stephen King, que foi publicado pela editora Suma no Brasil em abril de 2013. O remake chegou ao público em maio de 2019, mas a história já havia sido adaptada no passado em 1989.

A nova produção carrega a mesma crítica da obra anterior, com uma ressalva: Cemitério Maldito consegue imprimir nas imagens o medo como um produto do desconhecido. Além disso, o filme propõe uma atmosfera mais sombria ao envolver o mistério que acerca a morte. 

A atmosfera sobre o medo da perda versus o medo do desconhecido fica bem acentuada tanto na telona quanto no livro. É por esse motivo que ele mereceu um lugar a frente do famoso IT. Afinal a narrativa funcionou de maneira satisfatórias – isto é, evocando mais medo – nas duas mídias.

5. The Umbrella Academy

Uma das melhores obras que a Netflix trouxe em fevereiro de 2019 foi a adaptação de The Umbrella Academy. Muita gente não sabia naquele momento que estavam assistindo a uma história escrita pelo ex-vocalista da My Chemical Romance Gerard Way e ilustrada pelo brasileiro Gabriel Bá

Lá fora, “A Academia Umbrella” (tradução livre) começou a ser publicada pela Dark Horse em setembro de 2007 e passou a ser republicada no Brasil pela Devir em novembro de 2018 devido ao anúncio da Netflix sobre a adaptação.

The Umbrella Academy não só merece estar neste ranking como também necessita de apenas uma argumentação para justificá-la: a série conseguiu explorar o conteúdo da HQ com maestria. Os roteiristas fizeram um excelente trabalho para expandir alguns elementos pequenos apresentados nas páginas da HQ. 

Pode-se utilizar como exemplo o engrandecimento da personagem Agnes, o par romântico de Diego, Eudora, e, claro, a humanização de Hazel e a inflexibilidade em forma de poder de Cha-Cha que foi adaptado como mulher (e interpretada pela maravilhosa cantora Mary J. Blige), o que só tem a enriquecer a crítica.

Entretanto, o mais interessante é como a história conseguiu condensar dois arcos entrelaçados em uma trama só. Este trabalho foi de primeira qualidade e os recortes das cenas, entre uma piscada e outra, lembrava o espectador dos cortes dos quadrinhos.

4. O Labirinto do Fauno

Este é um caso inverso. O Labirinto do Fauno nasceu primeiro no formato audiovisual criado e dirigido por Guillermo Del Toro em dezembro de 2006. Somente em julho de 2019, a obra ganhou uma adaptação em papel pela Intrínseca para eternizar em palavras a beleza poética do mundo fantástico de Ofélia.

A editora Intrínseca conseguiu cuidar muito bem de uma obra ganhadora de Oscar e do prêmio Hugo (2007). O trabalho gráfico é impecável, mas o que é importante ressaltar aqui é como a literatura consegue ter o mesmo sabor do drama vivido pelas personagens do filme. Além disso, o livro ainda consegue expandir o universo mitológico do Fauno, enriquecendo o conhecimento do leitor.

É uma obra literária de primeiríssima qualidade textual e que deve ser consumida separadamente do filme, apesar de constar nesta lista por motivos comparativos. Palavras com sabor é algo muito difícil de conquistar, ainda mais quando já existe um filme perfeito lançado.

3. Good Omens

Compondo nosso top 3 de melhores adaptações, Good Omens não podia faltar. A história provém de Belas Maldições, um livro organizado e escrito por Neil Gaiman em parceria com Terry Pratchett; lançado em maio de 1990 e relançado com nova capa – da série – em 2019 pelo selo Bertrand do Grupo Editorial Record. A série foi lançada na Amazon Prime Vídeo em maio de 2019.

Este é um exemplo raro, raríssimo, de como a adaptação conseguiu ser melhor que o livro. Naturalmente é muito mais frequente ouvir que o livro é sempre superior ao filme ou série, mas neste caso não é isso que acontece. O livro é uma concha de retalhos com várias cenas moldadas a cortes precisos pelo hábil Gaiman, porém que, no formato literário, tende a ser um tanto simplificado demais. Entretanto quando estas mesmas cenas ganham cor e movimento diante de nossos olhos, elas parecem realmente demonstrar o motivo de ter sido escrita.

Desta obra é possível destacar três grandes pontos positivos que fazem dela uma série digna do terceiro lugar: o modo como Gaiman conseguiu contar através de imagens uma história ainda mais interessante que no livro, a atuação impecável de todos os atores, em especial Michael Sheen (Aziraphale) e David Tennant (Crowley), bem como o perfeito jogo visual das fotografias em paralelo com os contornos modernos que cada elemento místico recebeu. Perfeito. Zero defeitos.

2. Coringa

Antes de entrar no cerne deste merecido segundo lugar, vamos deixar claro que esta adaptação não se concentra em uma reprodução de uma “história” impressa, mas sim na premissa histórica geral do personagem Coringa, que sim, nasceu em uma novela gráfica. Dito isso, é possível prosseguir e encarar o filme como uma adaptação. O filme estreou em outubro de 2019.

Não é preciso justificar por que o filme indicado a 11 Oscars em 2020 é nosso vice-campeão. Mas é preciso explicar porque ele não ganhou o primeiro lugar. Coringa é, antes de mais nada, uma nova leitura sobre um possível passado de um personagem super conhecido. Por este motivo, leva-se em consideração a facilidade que o filme tinha para ser aceito neste novo formato, ainda mais quando se observa que outros “Coringas” já estrelaram na telona, o que forma um tapete vermelho para o novo.

Outro motivo é que, na questão da originalidade, o filme consegue ousar na construção de um novo passado para o personagem, mas busca poucos elementos “nunca vistos” em outros exemplos cinematográficos. Claro que podemos destacar o novo Coringa como uma pessoa normal tentando levar a vida, algo que nenhum Coringa ainda tinha sido no cinema, mas isso não é algo novo quando se amplia o escopo. Quantas personagens (de modo geral) já não trouxeram essa mesma temática bullying / menosprezo social / construção de criminosos?

Não obstante, Coringa é um filme único por conseguir contar uma história em cada elemento midiático apresentado na telona. Tudo no filme tem um significado e desenvolve uma narrativa particular, como é o caso da maquiagem, do terno, da trilha sonora, da doença, da escolha de caráter introspectivo, do tema, das cores sombrias nas fotografias, do cenário, das falas, enfim de tudo. Merece o Oscar de Melhor Filme.

1. Watchmen (série)

Não é possível entender – na verdade é – como uma série dessa magnitude foi pouco comentada na mídia. Watchmen foi lançado em outubro de 2019 na HBO. Ele era um desafio desde o início, pois já tinha conseguido estrear nas telonas com uma boa adaptação (fevereiro, 2009). A história principal da HQ ganhou o cinema com uma trama e roteiro bem escritos, então o que mais se podia dizer desta história?

Uma pergunta respondida pelos 9 episódios da série. Watchmen não é apenas a melhor adaptação de 2019 como é a melhor história contada neste mesmíssimo ano. Você pode se perguntar – caso não tenha assistido ainda – como isso é possível? A resposta para isso é simples: escrevendo uma nova história.

Watchmen consegue se apropriar perfeitamente dos eventos principais da trama original da HQ e desenrolar as consequências, por diferentes prismas, na contemporaneidade. As controvérsias que tanto temperavam os personagens principais da Grafic Novel são exploradas e expandidas na série, sendo ainda utilizadas para o desenvolvimento da narrativa da nova obra.

O maior destaque passível de listagem é a crítica ao racismo estrutural dos Estados Unidos, que foi mais visível por segregar microscopicamente negros e brancos. No Brasil o racismo também foi violento, mas era “nublado” por visões ideológicas estoicas. Watchmen, no entanto, consegue usar a backstory de Rorschach para construir a trama principal ao mesmo tempo que desenvolve a estrutura social como uma inimiga a ser combatida na série.

Esta foi a brilhante e assertiva escolha feita pelos roteiristas, a alternativa de um vilão invisível, mas que está na vista de todos: a sociedade. É muito interessante ver como esta linda palavra (linda na teoria) é a justificativa para perpetuação do preconceito racial internalizado em cada lei, código e moral regados e repaginados por nós, “pessoas de bem”. Isso é o tempo todo jogado na nossa cara durante a série.

Essa discussão profunda ainda consegue apresentar elementos ficcionais muito atraentes juntamente com reflexões sociais possíveis sobre a maleabilidade do poder sócio-político, bem como tecnológico. E ainda consegue manter viva (não só isso, consegue incorporar um novo significado) a grande premissa título da história: quem vigia os vigilantes?

A série conseguiu condensar perfeitamente a narrativa antiga com uma nova história ousada, polêmica e inovadora. É por esse motivo que Watchmen é sem dúvida a melhor adaptação de 2019.

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Resenha

Resenha | Mistborn – O Império Final

Primeiro livro da saga evoca críticas contra o sistema ditatorial e o escravismo.

Rodrigo Roddick

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A escravidão é um tema muito recorrente dentro da fantasia porque sempre suscita questões acerca dos sistemas ditatoriais. Mistborn é uma série que leva a questão para o mundo da magia: se o que faz pessoas escravizarem outras é o poder, em um mundo fantástico, quem possui magia é ditador? O Império Final vem levantar essa e outras discussões.

Mistborn – O Império Final é o primeiro livro da série dividida em duas eras, sendo este volume correspondente a primeira. Ele foi escrito por Brandon Sanderson e lançado no Brasil pela editora LeYa em 2014. Sanderson ainda escreveu o livro Elantris pela mesma editora, a série Coração de Aço pela Aleph e o livro Skyward pela Planeta.

Infelizmente, a LeYa comunicou na semana passada que os livros do autor deixarão a casa devido à baixa vendagem nos últimos anos.

O Império Final não é apenas o começo de uma série, ele narra uma história em padrão teleológico (início, meio e fim). Neste primeiro volume, Kelsier, um homem nascido das brumas (quem possui habilidades mágicas relacionadas à queima de metais), encontra outra pessoa com esta mesma característica. Ensinando-a a usar seus poderes ao mesmo tempo que reúne aliados para sua causa, Kelsier dá início ao seu plano de derrotar o Senhor Soberano, o ditador daquela terra.

À primeira vista, o epílogo já dá a premissa que abarca a narrativa inteira. O leitor é apresentado a Kelsier, um atrevido ladrão que derrota um dos senhores de terra que faz parte do sistema ditatorial governado pelo Senhor Soberano. Já no início, Sanderson faz uma crítica ao comportamento dos marginalizados, que sempre estão receosos, afugentados, conformados ou até mesmo apáticos com a realidade que vivem.

“Não tinham queixa. Não tinham esperança. Mal ousavam pensar. Era assim que deviam ser, pois eram skaa. Eram…”

Kelsier livra os cidadãos do domínio desse senhor na tentativa de fazê-los se mexerem e buscarem a própria liberdade. Essa motivação do protagonista já indica sua meta de libertar as pessoas da escravidão, porém com a participação delas.

O autor brilhantemente imprime essa crítica para mostrar com clareza que nenhuma mudança real virá se não for pelas mãos dos oprimidos. Apesar do Senhor Soberano deter um poder mágico, Kelsier mostra que ele não é invencível e, como qualquer um, depende de recursos para manter seu império. É assim que ele vai desmistificando os medos do povo, lembrando-os que são eles o verdadeiro poder do imperador.

“Quando se lê, pode-se aprender muito, sabe?”

A ideia da escravidão está até na própria palavra “skaa”, que define os oprimidos. Ela sugere um sentido fonético para a palavra em português “escravo”. Não se pode afirmar com certeza se Sanderson pensou nisso, pois a palavra para escravo em inglês é “slave”. Entretanto pode ser que ele tenha desenvolvido essa ideia, afinal J. K. Rowling foi uma autora que fez muitos trocadilhos com verbetes em português em Harry Potter.

A reunião de vários setores, incluindo pessoas que também são como Kelsier, revela o pensamento político por trás da luta contra a ditadura. O protagonista não apenas pensa em derrotar o sistema, mas envolve a crise das classes sociais em seu esquema para garantir uma determinação coletiva que enfrente quaisquer tentativas de surgimento de um novo ditador.

“Manipulação está no âmago das nossas interações sociais”

Kelsier

O personagem Senhor Soberano é outro detalhe muito acertado em Mistborn. Durante a narrativa, alguns capítulos trazem as impressões dele antes dele se transformar no ditador temido que governa o império. Essa situação cria uma dúvida no leitor a respeito da transição de caráter dele; dúvida que é respondida brilhantemente pela trama. O autor relembra ao leitor que, em muitas vezes, a aparência de um governante ao público nem sempre corresponde à sua identidade real. Essa reflexão se aplica facilmente aos políticos.

“Até mesmo a blasfêmia o honra. Quando amaldiçoa usando o nome dessa criatura, você o reconhece como seu deus”

Outro ponto interessante do livro é um olhar mais delicado sobre as religiões. Ao criar os feruquemistas — pessoas que conseguem armazenar força, juventude e conhecimento em adereços metálicos — Sanderson faz um desfile de religiões de seu próprio universo. No meio dessas dissertações, ele imprime outra crítica sobre a ditadura, desta vez, mental. Assim o autor revela que quando uma religião é imposta a outra pessoa, ela está sendo escravizada mentalmente por quem a impôs. O mais justo é deixá-la escolher aquela que melhor lhe convier, que lhe faça sentido.

“A crença certa é como uma boa capa, penso eu. Se lhe servir bem, a manterá aquecida e segura. Se lhe cair mal, no entanto, pode sufocar”

A despeito das críticas e pensamentos sociais que o livro traz, Brandon Sanderson também foi um hábil escultor de histórias, no sentido do entretenimento mesmo, quando inventou um novo método de execução de magias.

Em Mistborn, as pessoas que possuem essas habilidades conseguem queimar metais em seu corpo e usar a combustão para realizar um determinador poder, como flutuar, prever o futuro próximo, aumentar a força e outros. Os que possuem essa característica, conseguem queimar apenas um tipo de metal, o que lhes dá apenas um tipo de poder. Mas os nascidos das brumas conseguem queimar todos.

Dessa forma, a magia dentro da história instiga o leitor a investigar sobre seu funcionamento e limitações, porém o mais interessante é que ela não resolve a trama, apenas contribui para que certos desafios sejam vencidos. O que é um ponto bastante positivo em livros fantásticos, que o diferencia, pois muitas literaturas semelhantes recorrem à magia para solucionar todos os impasses, o que fica chato.

Todavia o sentido mais interessante que se encontra na história é sobre a sanidade. Kelsier é interpretado o tempo inteiro como um louco visionário que sonha com coisas impossíveis. Brandon Sanderson não criou essa situação levianamente. Ele usou este artifício para discutir a alienação do cidadão. Ao colocar a sobriedade em um personagem apontado como louco, ele critica como a visão das pessoas está tão deturpada a ponto de considerar loucura aquilo que, na verdade, elas também almejam. Desse modo ele brinca com a superestimada “sanidade” que todo “cidadão-modelo” se orgulha de possuir.

“Pessoas sãs estão dormindo quando as brumas saem”

E por falar em alienação, Sanderson faz uma observação rápida sobre o elemento que comunica todos os setores do sistema: o dinheiro.

“Mas, o que é dinheiro? Uma representação física do conceito abstrato do esforço”

Mistborn – O Império Final é um livro que possui suas excentricidades, mas jamais esquece o real interesse de quem lê: o ser humano. Uma característica recorrente nas narrativas de Sanderson.

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HQs

Resenha | Coragem

HQ que apresenta a importância de estar com a saúde mental em dia.

Mylla Martins de Lima

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Raina Telgemeier é uma cartunista norte-americana responsável por um grande acervo de livros para o público infanto-juvenil. Coragem não é diferente. A editora Intrínseca trouxe sua autobiografia para o Brasil em uma edição linda e bem colorida.

HQ Coragem: uma história para quem tem medo - Geekness

Em uma noite, Raina acordou com uma dor estranha na barriga, mas como sua mãe havia passado pela mesma coisa, talvez não fosse nada grave… apenas uma virose. O problema é que a dor não passava e, junto dela, vinha o medo. Depois de diversos exames terem dado “OK”, seus pais perceberam que não se tratava de uma doença física e, por isso, procuraram ajuda psicológica.

A HQ foca no público que mais precisa desse apoio, quem está passando pela aterrorizante fase da puberdade. Ela normaliza o medo, mas estimula os jovens a não passarem por esse caminho turbulento sozinhos e a confiarem em seus responsáveis, que farão o possível para ajudar.

Essa transição inevitável pode vir acompanhada de ansiedade e, se não tratada com devida seriedade, é possível que algo mais complexo aconteça, chegando a afetar seu estado físico. A autora manda um recado para jovens e adultos usando sua própria experiência, por isso uma leitura em família seria incrível.

Coragem, de Raina Telgemeier #Resenha - Leitora Compulsiva

A ideia de trabalhar a identidade da personagem também foi ótima. Raina era uma menininha de 10 anos, feliz, que amava assistir TV e desenhar como qualquer uma de suas amigas da escola. Isso faz com que o leitor entenda que o problema não tem a ver com estereótipos.

A palavra estresse não é de uso exclusivo dos adultos. Lidar com um ambiente conturbado, seja em casa ou na escola, além de mudanças corporais e mentais, são desgastantes para todos. Essa grafic novel pedagógica apresenta esse argumento de forma muito clara para que até os mais leigos no assunto compreendam que não se trata de um problema desprezível.

Coragem fala especificamente sobre emetofobia, o medo de vômito, mas o quadrinho serve como exemplo para muitos outros tipos de sofrimentos causados pela ansiedade, que é considerado atualmente um dos transtornos mais comuns.

A prova da importância de Coragem é sua indicação ao Prêmio Eisner 2020, a maior premiação quando o assunto é histórias em quadrinho. A HQ está concorrendo às categorias de Melhor Roteirista e Artista e Melhor Publicação Infantil.

Ler é Bom, Vai! Coragem, de Raina Telgemeier

O quadrinho é cheio de lições para a família toda. Trata de um assunto sério, mas é uma leitura divertida e muito didática. Raina encoraja qualquer pessoa a abrir seu coração e pedir ajuda, e seu depoimento no final do livro é muito sincero e acolhedor.

Coragem é mais que desenhos coloridos com traços infantis, é um arauto de como enfrentar seus medos, seja ele qual for.

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HQs

Anunciado spin-off de O Mandaloriano em livros e quadrinhos

Estão por vir novas aventuras do Mandaloriano no universo de Star Wars.

Jacqueline Cristina

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Anunciado essa semana pela Disney e a Lucasfilm uma linha editorial que irá expandir o universo Star Wars introduzido na primeira temporada da série, O Mandaloriano.

A linha editorial incluirá livros de ficção e não-ficção, bem como uma séries de quadrinhos de vários editores, que terão como alvo diferentes faixas etárias e níveis de leitura. A capa do livro “The Art of the Mandalorian (Season One)” (A Arte do Mandaloriano – Primeira Temporada), criado por Doug Chiang, da Lucasfilm, foi revelada como parte do anúncio, o qual pode ser vista abaixo:

A Arte do Mandaloriano – Primeira Temporada encabeça uma lista de lançamentos que também inclui um romance adulto, e três livros para jovens leitores. Confira a lista de títulos e autores:

  • A Arte do Mandaloriano (Primeira Temporada), de Phil Szostak com Doug Chiang;
  • O Mandaloriano: Romance Original, de Adam Christopher;
  • O Mandaloriano: O Guia Visual Definitivo, de Pablo Hidalgo;
  • O Mandaloriano: Aliados e Inimigos, por Brooke Vitale;
  • O Mandaloriano: Livro de Histórias (Título definitivo ainda será revelado), por Brooke Vitale;
  • O Mandaloriano, por Joe Schreiber.

Quanto aos quadrinhos, as publicações fcarão a cargo da Marvel Comics e da IDW Publishing, sendo que não foi apresentado mais detalhes a respeito, contudo, sabemos que se O Mandaloriano seguir o padrão estabelecido pelos quadrinhos anteriores de Star Wars, a Marvel publicará títulos para leitores mais velhos, enquanto a IDW publica quadrinhos para o público mais jovem.

Foram confirmadas também outras publicações envolvendo a confecção de revistas de colorir e de atividades da Titan, Studio Fun, Crayola, Thunder Bay Press, Disney Publishing Worldwide e Dreamtivity, assim como um Pequeno Livro de Ouro e um Screen Comic que irá recontar a primeira temporada da série.

Infelizmente, até o momento não foi divulgado nenhuma pista quanto ao lançamento dos títulos citados na matéria. Enquanto isso, O Mandaloriano, série televisiva do universo Star Wars, já se encontra disponível para os assinantes do serviço de streaming Disney+.

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